Vale (VALE3) compra 30% de outra mineradora para avançar em Carajás

A Ligga pretende ampliar a produção de minério de ferro em Carajás, de 2 milhões para 8 milhões de toneladas por ano.

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Publicado em 21/09/2026 às 15:28h Publicado em 21/09/2026 às 15:28h por Marina Barbosa
A Ligga também produz minério de ferro na região de Carajás (Imagem: Reprodução/LinkedIn)
A Ligga também produz minério de ferro na região de Carajás (Imagem: Reprodução/LinkedIn)
A Vale (VALE3) firmou um acordo estratégico para expandir a sua presença em Carajás, no Pará -uma das principais regiões produtoras de minério de ferro do mundo.
🤝 A companhia listada na B3 adquiriu uma participação minoritária de 30% na Ligga S.A., mineradora de menor porte que também produz minério de ferro em Carajás. Além disso, firmou um contrato de longo prazo que lhe garante o direito exclusivo de compra de toda a produção da nova investida.
"A operação reforça a flexibilidade do portfólio da Vale na região de Carajás (PA) ao garantir acesso ágil a volumes minerais estratégicos", afirmou. 
De acordo com a Vale, a operação permitiu incorporar reservas consolidadas sem os investimentos e prazos regulatórios necessários a novos projetos desse tipo. 

Em expansão

⚒️ A expectativa é de que o investimento da Vale permita a expansão da capacidade de produção da Ligga, de aproximadamente 2 milhões para 8 milhões de toneladas anuais de sinter feed, um minério de ferro fino usado na produção de aço.
"O projeto, já em fase inicial de implantação e com Licença de Implantação ativa, inclui nova planta de beneficiamento, obras de infraestrutura, além da construção de uma solução ferroviária, prevista para entrar em operação em junho de 2028", informou a Vale.
"Essa operação reforça as condições para a continuidade e a ampliação do Projeto Ferro Sul, consolidando sua relevância estratégica na cadeia produtiva mineral do Pará", acrescentou a Ligga.
O acordo ainda garante à Ligga acesso à Estrada de Ferro Carajás da Vale. A ideia é que o minério produzido pela empresa seja transportado por essa via até o Porto de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), de onde poderá ser exportado.
A Vale não revelou o valor investido nesse negócio, mas garantiu que o acordo seguiu um modelo de baixa intensidade de capital. Ou seja, um modelo que exige pouco investimento em dinheiro, mas traz possibilidades de crescimento. 
O negócio, porém, ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para ser concluído.

Acordo estratégico, momento desafiador

O acordo foi classificado como estratégico pela Vale. Porém, foi anunciado em meio a um momento de pressão sobre as mineradoras.
📉 Os preços do minério de ferro recuaram nas últimas semanas, devido à redução da demanda e das margens das siderúrgicas chinesas. 
O movimento pesou sobre as ações das mineradoras brasileiras, que ainda enfrentam custos maiores de frete no momento devido à disparada do petróleo.
A Vale, por exemplo, perdeu 6,4% na semana passada, figurando entre as 10 maiores quedas da semana no Ibovespa. O papel segue em queda nesta segunda-feira (21).