XP vê CSN (CSNA3) precisando de R$ 41 bi até 2030 e cobra novo CEO

Longe de ser por acaso, a escolha por uma nova liderança da CSN reflete a reorganização das contas da companhia.

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Publicado em 03/09/2026 às 15:55h Publicado em 03/09/2026 às 15:55h por Matheus Silva
Na avaliação da XP, a empresa deve conseguir cumprir suas obrigações financeiras (Imagem: Shutterstock)
Na avaliação da XP, a empresa deve conseguir cumprir suas obrigações financeiras (Imagem: Shutterstock)
🚨 A XP Investimentos avalia que as teses de investimento em CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) seguem pressionadas. 
A CSN acumula queda de cerca de 28% no ano, reflexo de preocupações do mercado com o fluxo de caixa livre e o balanço da companhia, em um ambiente de juros elevados por mais tempo.
"Acreditamos que os tradicionais motores de geração de caixa do grupo tenham se tornado menos favoráveis recentemente, com fundamentos mais fracos do minério de ferro e um cenário desafiador para as operações de siderurgia", afirma a corretora.

XP vê necessidade de R$ 41 bi até 2030

Na avaliação da XP, a CSN deve conseguir cumprir suas obrigações financeiras, mas isso dependerá de um plano de financiamento amplo e crível, que a corretora considera o principal desafio de Fabio Schvartsman à frente da companhia, no cargo que substituiu Benjamin Steinbruch após 24 anos de gestão.
A XP estima uma necessidade total de caixa de R$ 41 bilhões entre o terceiro trimestre de 2026 e 2030, a ser suprida por três frentes: refinanciamento de dívidas bancárias (R$ 20 bilhões), pré-pagamentos de minério de ferro (R$ 13 bilhões) e vendas de ativos (R$ 17 bilhões a R$ 18 bilhões).
"Embora esperemos que a CSN atenda gradualmente às suas necessidades de liquidez, a execução continua sendo crítica, razão pela qual mantivemos a recomendação neutra para as ações, mas observamos uma assimetria positiva para os ativos, uma vez que acreditamos que a desalavancagem seja alcançável", detalha a corretora. 
O preço-alvo para CSNA3 é de R$ 7, o que implica potencial de valorização de 18% frente ao último fechamento.

CSN Mineração tem valuation pouco atrativo

Para a CSN Mineração, a avaliação da XP é ainda mais cautelosa. A corretora considera o valuation atual pouco atrativo, já que os múltiplos precificam as perspectivas de crescimento de volumes mesmo diante da revisão para baixo das premissas de preço do minério de ferro.
"Apesar dos rendimentos de dividendos relativamente atrativos, continuamos vendo um perfil de fluxo de caixa livre pressionado e uma margem de segurança limitada em um ambiente de preços mais baixos do minério de ferro", afirma a XP. 
As ações negociam a um múltiplo P/L (preço sobre lucro) projetado para 2027 de cerca de 18 vezes, considerando minério de ferro a US$ 95 a tonelada. Nesse cenário, o preço-alvo para CMIN3 é de R$ 6,50, upside de apenas 2% em relação ao último fechamento.

Mineração segue como fonte de liquidez para a controladora

Mesmo com a tese mais desafiadora, a XP destaca que o braço de mineração continua sendo uma fonte relevante de liquidez para o grupo controlado pela CSN, por meio de distribuições de dividendos, vendas de ativos e transações internas entre as empresas. 
📊 A corretora cita a transferência anterior de ativos relacionados à MRS como exemplo de como a CSN pode realocar recursos de caixa dentro da estrutura do grupo para atender melhor às suas obrigações financeiras.