Enquanto o governo Trump declarou uma guerra velada aos atuais rendimentos recordes de seus títulos soberanos (
treasury bonds), prometendo dobrar as recompras de dívida pública, o
Tesouro Direto mal pegou carona nesta quarta-feira (19) na guinada do mercado de
renda fixa global e até o ministro da Fazenda reclamou do cenário de juros elevados.
Ao passo que os treasury bonds com vencimento em 30 anos viram sua remuneração cair de 5,33% ao ano na véspera (
o maior patamar desde junho de 2007) para os atuais 5,21% ao ano, diante dos acenos do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, teve título público brasileiro pagando ainda mais neste pregão.
Foi o que aconteceu com a remuneração do
Tesouro IPCA+ 2050, que subiu de IPCA+ 7,30% ao ano na véspera para os atuais IPCA+ 7,31% ao ano. Quando as taxas sobem no Tesouro Direto, o preço unitário dos títulos públicos dá prejuízo na marcação a mercado.
Durante evento do setor de saúde, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou que as taxas de juros de longo prazo pagas pelo Tesouro Nacional para rolar a dívida pública brasileira são muito altas.
"O Tesouro Nacional, que é quem mais tem condição de pagar um título no país, tem hoje uma conta muito grande de pagar, com juro alto; isso é inaceitável", afirmou o escolhido por Lula para substituir o ex-ministro Fernando Haddad.