O mercado de
renda fixa nos Estados Unidos apagou boa parte dos
lucros com marcação a mercado registrados na véspera, dado que os rendimentos dos títulos do governo americano (Treasury Bonds) voltaram a subir nesta quinta-feira (20), à medida que os traders testam o discurso de Scott Bessent, o secretário do Tesouro dos EUA.
E quanto maiores são as taxas que o governo dos EUA precisa pagar para rolar a sua dívida, especialmente nos vencimentos de longo prazo, mais se agrava a situação fiscal. Por isso, Bessent até reforçou hoje que as intervenções de recompra de dívida pública podem superar os US$ 4 bilhões, mais que o dobro do patamar praticado nos últimos anos.
Para se ter uma ideia, as taxas dos Treasury Bonds com vencimento em 30 anos
chegaram ao pico de 5,33% ao ano no dia 18 de agosto de 2026, o maior nível desde 2007. Daí vem o primeiro anúncio de intervenção no mercado de renda fixa no dia seguinte, fazendo as taxas recuarem para 5,21% ao ano.
Todavia, os mesmos títulos públicos americanos de longuíssimo prazo viram seus rendimentos subirem para 5,26% ao ano nesta quinta-feira, descambando em prejuízos na marcação a mercado.
Inclusive os cotistas do
US Treasury 30 Year Bond ETF (UTHY), investimento que replica uma carteira de títulos do governo dos EUA com vencimento em 30 anos, acumulam perdas de quase -1% neste pregão, embora o dividend yield esteja historicamente elevado, acima de 5%, rendendo dividendos mensais de US$ 0,16 por cota.
Durante entrevista recente, Bessent disse que o Tesouro dos EUA criará um mercado para os títulos de renda fixa de longo prazo, cujos rendimentos têm disparado em 2026. As novas falas até provocaram uma queda inicial das taxas dos treasury bonds, mas logo os rendimentos consolidaram trajetória altista.
Era da renda fixa nos EUA
Historicamente, o mercado de renda fixa nos EUA está longe de ser extremamente rentável, já que os juros por lá costumam ser bem mais baixos que no Brasil e demais países desenvolvidos.
Só que uma tempestade perfeita em 2026 abriu uma janela rara de competitividade para se ganhar em
dólar só com juros compostos.
Diversos fatores se combinaram para impulsionar o aumento dos rendimentos dos treasury bonds, desde o aumento da dívida e dos déficits nos EUA até a concorrência de outras áreas, incluindo a emissão de dívida corporativa relacionada à inteligência artificial e rendimentos mais altos de outros países desenvolvidos,
como o Japão.
Justamente o aumento dos prêmios de prazo, caso do Treasury Bonds com vencimento em 30 anos, pagando agora bem acima de 5% ao ano, quando a média histórica é de 3% ao ano, cria rendimento extra que os investidores exigem para manter títulos soberanos em carteira.