Não são apenas os títulos públicos no
Tesouro Direto que apresentam rendimentos historicamente elevados em 2026, como o
Tesouro IPCA+ 2050, pagando IPCA+ 7,30% ao ano. Mesmo em países desenvolvidos onde os juros eram baixos, os títulos soberanos apresentam taxas recordes nesta terça-feira (18), patamares não vistos há décadas que escancaram o estresse do mercado de
renda fixa.
Afinal de contas, o que estamos observando é uma onda global de vendas de títulos de dívidas emitidos por países desenvolvidos (especialmente Estados Unidos, Alemanha, França e Japão), que justamente intensifica a subida das taxas e também agrava os prejuízos com marcação a mercado.
Só os rendimentos do título do governo dos EUA, com vencimento em 30 anos (
ETF UTHY), chegaram a 5,33% ao ano no início do pregão, o maior nível para título de renda fixa americano de longuíssimo prazo desde 2007, período pré-crise financeira global que aconteceria no ano subsequente.
As taxas do título do governo alemão (
ETF SDEU), com vencimento em 10 anos, bateram o seu maior patamar (3,25% ao ano) desde 2011, em plena crise da Zona do Euro. Semelhantemente, os títulos soberanos da França (
ETF IFRB) com mesmo prazo de vencimento tocaram níveis hoje (4,11% ao ano) que não eram vistos desde 2008.
Para a corretora de valores britânica AJ Bell, o estresse no mercado de renda fixa global tem sido agravado pelo impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã, deixando a porteira aberta para preocupações inflacionárias sem uma clareza sobre o funcionamento do Estreito de Ormuz. Em consequência, a cotação do
petróleo tipo Brent voltou a superar os US$ 91 por barril.
“O aumento dos rendimentos dos títulos de longo prazo não é impulsionado apenas pelas expectativas de taxas de juros mais altas e pelos temores de inflação. Também pode refletir preocupações com os altos níveis de endividamento público e com a exigência dos investidores por uma maior compensação pelos riscos de manter títulos do governo de longo prazo”, escreveu o economista-chefe da AJ Bell, em nota publicada nesta terça-feira.
Dentre todos os títulos soberanos em países desenvolvidos, a situação mais crítica é dos títulos do governo japonês com vencimento em 10 anos, cujos rendimentos já beiram os 3% ao ano, a maior marca em três décadas. Recentemente, até o
governo Trump precisou socorrer o Banco do Japão para estabilizar o iene japonês.