IPO da SpaceX vai render mais de US$ 2 milhões para o BTG Pactual
O BTG é um dos 22 bancos que atuaram como coordenadores do IPO da SpaceX.
Nesta segunda-feira (15), a SpaceX (SPCX34) continua batendo recordes, depois do maior IPO da história do mercado de capitais. Por volta das 11h30, os papéis cresciam cerca de 7% na bolsa de valores, superando a marca de US$ 172.
Os BDRs seguem pelo mesmo caminho, avançando quase 4% no dia e se aproximando dos R$ 60. Com isso, o valor de mercado da companhia já chega a US$ 2,3 trilhões, conforme dados da Nasdaq, onde as ações estão listadas.
A SpaceX fez a abertura de capital na última sexta-feira, quando conseguiu levantar mais de US$ 85 bilhões em recursos para financiar sua expansão. Essa foi a maior operação já vista em Wall Street.
Só no primeiro pregão, as ações conseguiram acelerar mais de 20% no dia. O simbolismo é tamanho que fez com que o fundador Elon Musk se tornasse o primeiro trilionário da história.
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Agora, a empresa tem um longo caminho pela frente para mostrar aos investidores que foi uma boa decisão ter apostado na marca de foguetes. Com um valor de receita bem curto, o foco está não no agora, mas no que a empresa pode entregar futuramente.
Um dos planos da SpaceX é oferecer infraestrutura de nuvem diretamente do espaço. Desta forma, a empresa poderia criar data centers fora da Terra, aproveitando energia de outros planetas.
Há quem diga, porém, que a empresa é negociada com sobrevalorização, considerando os últimos balanços divulgados. O próximo relatório da companhia ainda não tem data para ser divulgado, mas deve ditar o ritmo das ações nas próximas temporadas.
“É possível apresentar vários argumentos de que a SpaceX está severamente sobrevalorizada. A avaliação da SpaceX se baseia na reputação de Elon Musk”, disse Jake Dollarhide, diretor-executivo da Longbow Asset Management. “É preciso olhar para isso da seguinte forma: as pessoas estão realmente investindo na SpaceX ou negociando ações da SpaceX? Eu acredito, e outros gestores com quem converso também, que é a segunda opção”, acrescentou Todd Schoenberger, diretor de investimentos da Crosscheck Management, à Reuters.
No entanto, em Wall Street, muitos analistas estão empolgados com a chegada desta nova empresa. As ações, inclusive, devem ser incluídas em vários índices das bolsas norte-americanas, como o Nasdaq 100, que carrega os 100 tickers mais negociados da bolsa focada em tecnologia.
“A maioria das pessoas acabará tendo exposição à SpaceX sem nunca ter tomado essa decisão, por meio de um fundo atrelado ao Nasdaq ou à Russell, de um fundo com data-alvo ou da parcela indexada de seus planos de aposentadoria. Essa é a verdadeira democratização”, afirmou Kevin Moss, cofundador do Private Shares Fund. “Uma empresa que antes estava restrita a rodadas privadas passa a aparecer em contas de aposentadoria convencionais. O outro lado da moeda é que você a possui independentemente de concordar ou não com sua avaliação”.
Em Nova York, a CFRA Research informou que iniciou a cobertura da SpaceX, se tornando uma das primeiras consultorias a tomarem a decisão. No entanto, a recomendação é de venda para os papéis, com preço-alvo de US$ 115 no horizonte de 12 meses.
Na prática, os analistas estão dizendo que as ações são negociadas bem acima do que valem, dando a entender que os investidores podem ter prejuízos. Para eles, a empresa consome muito capital para financiar os projetos futuros, além de ter uma estratégia de crescimento bastante ambiciosa.
“Deixando de lado essas frases sobre data centers em órbita, que são promessas grandiosas — se você está pedindo uma contribuição de 70 ou 80 bilhões, acho que você deve aos investidores um pouco mais do que poesia”, disse Paulina Roszkowska, professora de finanças na Bayes Business School, em entrevista à CNBC.