Muitos investidores ainda se chocam ao perceberem no bolso que a
renda fixa não é tão fixa como a nomenclatura sugere, sobretudo os investimentos no
Tesouro Direto que são sujeitos à marcação a mercado. Ou seja, a depender das condições de mercado, é possível colher lucros atrativos ou amargar prejuízos evitáveis.
Não é segredo que o
Tesouro Renda+ 2065 virou o título público queridinho dos investidores de renda fixa mais arrojados, uma vez que as taxas oferecidas ao longo de 2026 estão bem próximas das máximas entre
IPCA+ 7% ao ano e
IPCA+ 7,50% ao ano. Quando tais rendimentos caírem, o preço unitário tende a se valorizar especialmente.
Em meio ao ciclo de cortes da taxa Selic, muitos investidores de renda fixa acreditavam que não haveria grandes revezes no comportamento das taxas do
Tesouro Renda+ 2065, mas foi justamente o que ocorreu em julho de 2026, tanto que o título público acumula perdas de -11,70% na marcação a mercado.
Nos extremos do mês, as taxas do Tesouro Renda+ 2065 saltaram de
IPCA+ 7,06% ao ano para até
IPCA+ 7,36% ao ano, o que desvalorizou o patrimônio de quem já havia emprestado dinheiro ao governo brasileiro sob condições de juros compostos menores. Por outro lado, novos aportes de dinheiro sob taxas maiores são mais rentáveis.
E não é apenas a renda fixa brasileira que vive um momento de estresse, já que é a desconfiança dos investidores que pressiona as taxas para cima. Os títulos do governo americano (treasuries bonds)
também bateram taxas recordes nesta sexta-feira (31), caso do vencimento em 30 anos (
ETF UTHY), pagando 5,25% ao ano, o maior patamar desde 2007.
Já os investidores mais conservadores parecem ter levado a melhor em um período de tanta volatilidade nos mercados globais, já que o bom e velho
Tesouro Selic 2031 rendeu +1,12% ao mês sem dar grandes dores de cabeça.