Sequoia (SEQL3) vende ativos de e-commerce para o Mercado Livre (MELI34)

O negócio de US$ 7,5 milhões representa a última etapa da reestruturação da Sequoia.

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Publicado em 22/04/2026 às 09:49h Publicado em 22/04/2026 às 09:49h por Marina Barbosa
Com negócio, Sequoia deixa o mercado de e-commerce (Imagem: Shutterstock)
Com negócio, Sequoia deixa o mercado de e-commerce (Imagem: Shutterstock)
A Sequoia (SEQL3) fechou um acordo milionário com o Mercado Livre (MELI34), que promete reconfigurar a sua área de atuação e coroar o seu processo de reestruturação.
💸 A companhia brasileira vendeu ativos operacionais avaliados em US$ 7,5 milhões para o marketplace argentino. Isto é, mais de R$ 37 milhões no câmbio atual.
Entre os ativos, está o sistema de classificação de cargas de alta tecnologia Mega Sorter Damon, que opera em um centro de distribuição de São Paulo, cujo contrato de locação foi transferido para o Mercado Livre.

Sequoia deixa e-commerce

A operação marca a saída da Sequoia do segmento de logística para e-commerce. Porém, também representa a etapa final do processo de reestruturação da empresa, de acordo com a sua administração.
📦 Em fato relevante, a Sequoia alegou que esse mercado perdeu atratividade no Brasil, devido à alta concorrência com os marketplaces, as margens apertadas e a forte demanda por capital de giro.
Além disso, revelou que o Mega Sorter Damon vinha dando prejuízo, já que possui uma capacidade compatível apenas com grandes volumes de marketplaces e vinha operando sem grande escala.
A Sequoia diz, então, que a operação marca a sua saída de um segmento que vinha "drenando recursos financeiros e esforços comerciais, operacionais e administrativos". Logo, permitirá que a companhia foque no crescimento de operações rentáveis.
Agora, a Sequoia pretende focar nos segmentos em que "possui sólido histórico operacional e geração positiva de caixa". Ou seja, na logística de objetos bancários e no segmento B2B, por meio de atividades como a entrega de maquininhas e cartões de bancos, por exemplo.

Ganho de liquidez

A Sequoia indicou ainda que o negócio deve ser quitado no curto prazo, o que trará liquidez e permitirá que a companhia reorganize suas contas.
Veja o cronograma de pagamento acertado com o Mercado Livre:
  • 50% em até 21 dias corridos após o cumprimento das condições precedentes, como a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica);
  • 25% em até 21 dias corridos após o pagamento da primeira parcela, condicionado à assinatura do instrumento de cessão aplicável;
  • 25% em até 21 dias corridos após a conclusão da tradição física e operacional dos ativos.
"A conclusão da venda e da desmobilização desse segmento é a etapa final do processo de reestruturação iniciado no final de 2023", concluiu a Sequoia.

Reestruturação

A Sequoia é uma das maiores empresas privadas de logística e entregas do país, sobretudo depois da fusão com a Move3 em 2023. 
Porém, vem dando prejuízo e chegou a dar calote em fundos imobiliários em 2023, tendo sido citada até em pedidos de falência. Por isso, acabou entrando em reestruturação.
A companhia descontinuou rotas e clientes de menor rentabilidade e já havia vendido outros ativos para focar em operações mais rentáveis. Além disso, trocou de comando e pediu recuperação extrajudicial para renegociar suas dívidas em 2024.
Nesta semana, a Sequoia já havia anunciado outro passo definitivo desse processo de recuperação: um acordo com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para reduzir em 84% o seu passivo tributário e permitir o parcelamento dessa dívida.
O acordo ainda permitirá que a empresa receba certidões negativas de débito, participe em novos processos licitatórios, renove contratos e acesse linhas de crédito mais competitivas, além de afastar execuções fiscais. Logo, abre "caminho um crescimento sustentável e para a entrega de valor aos seus acionistas e parceiros", segundo a Sequoia.

O impacto nas ações

📈 Com o acordo tributário, as ações da Sequoia subiram mais de 21% na segunda-feira (20). O papel, contudo, ainda figura entre as penny stocks (ações que valem centavos) da B3. Por isso, a companhia avalia fazer um novo grupamento de ações neste ano.
A Sequoia foi notificada pela B3 no final de março, devido ao baixo valor dos seus papeis. Por isso, tem até 25 de setembro para fazer com que as ações voltem a ser negociadas acima de R$ 1. A companhia disse, então, que pretende ajustar a cotação por meio de um novo grupamento, mas ainda não apresentou o cronograma da operação.