Raízen (RAIZ4) dá três opções para investidores de renda fixa; confira

Investidores de CRAs e debêntures se reúnem nesta 4ª feira para avaliar plano de recuperação.

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Publicado em 03/06/2026 às 10:13h Publicado em 03/06/2026 às 10:13h por Marina Barbosa
Raízen tenta fechar acordo com credores sobre a recuperação extrajudicial (Imagem: Shutterstock)
Raízen tenta fechar acordo com credores sobre a recuperação extrajudicial (Imagem: Shutterstock)
A Raízen (RAIZ4) está diante de um momento decisório do seu processo de reestruturação financeira, pois os seus investidores de renda fixa se reúnem nesta quarta-feira (3) para decidir se aceitam o plano de recuperação extrajudicial proposto pela empresa.
💸 A assembleia vai reunir os detentores de debêntures e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) emitidos pela Raízen -títulos que enfrentaram muita volatilidade no mercado secundário nos últimos meses, em meio à piora da situação financeira da empresa, e cujos investidores já mostraram resistência a suas primeiras propostas de reestruturação.
Para facilitar a nova rodada de discussão desses investidores, a Raízen publicou uma versão completa do seu plano de recuperação extrajudicial na manhã desta quarta-feira (3). O plano foi fechado na semana passada e dá três opções aos credores da empresa. Veja os detalhes:
  • Opção A: Conversão de 45% da dívida em ações, cotadas a R$ 0,25 cada;
                     Conversão de 55% da dívida em novos títulos de renda fixa, com prazo de vencimento até 2035.
  • Opção B: Desconto de 80% no valor da dívida, com pagamento do restante em parcela única no dia 31 de março de 2047;
  • Opção C: Pagamento à vista de 75% da dívida, no valor máximo de R$ 9.750. 
Apesar de oferecer um desconto menor e um pagamento mais rápido, a opção C está disponível apenas para um pequeno grupo de investidores. Isso porque mira apenas os pequenos investidores e tem um orçamento máximo de R$ 150 milhões. Isto é, uma fatia ínfima da dívida de R$ 65 bilhões que a Raízen pretende renegociar com esse plano.

Negociação continua

🔎 Os investidores de renda fixa da Raízen não precisam escolher uma das opções agora. O que está em discussão neste momento é se o plano, como um todo, será aceito ou não. Afinal, outros credores da companhia também precisam concordar com esses termos para a recuperação extrajudicial seguir em frente.
Diferente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial envolve a negociação direta da dívida com os credores e precisa da aprovação de ao menos 51% dos envolvidos para seguir adiante. O prazo para a Raízen conseguir esse quórum acaba na próxima segunda-feira (8). Por isso, a companhia também mantém discussões intensas com seus credores financeiros, como os bancos.
Para tentar arregimentar o apoio necessário, a empresa ainda propõe que os credores apoiadores do plano tenham o direito de nomear quatro dos sete membros do seu Conselho de Administração, incluindo o presidente, após o fechamento da transação.

Outras medidas

O plano de reestruturação da Raízen também prevê um aporte de até R$ 4 bilhões dos seus controladores, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell (SHEL) e R$ 500 milhões da Aguassanta Investimentos, o veículo de investimentos de Rubens Ometto, da Cosan (CSAN3).
⛽ Além disso, propõe a cisão dos seus negócios entre a Raízen Energia e a Raízen Combustíveis -a primeira focada na produção de açúcar, etanol e bioenergia e a segunda com atuação no mercado de distribuição e comercialização de combustíveis.
Nessa reorganização societária, ativos considerados não essenciais da Raízen Energia poderiam ser vendidos, como determinadas usinas de cana-de-açúcar. Já a Raízen Combustíveis pode ganhar um novo investidor, o que poderia envolver uma oferta secundária de ações.
Na avaliação da Raízen, "esta nova configuração reforça a visão de longo prazo e o compromisso da companhia em seguir com a redução significativa das despesas financeiras e em adequar o serviço da dívida à capacidade de geração de caixa das operações, além de permitir que a alocação de dívidas seja proporcional à capacidade de geração de caixa futura de cada segmento de negócio".