📉 O banco registrou um lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um resultado 1,9% inferior ao do mesmo período do ano passado e 7,3% menor que o do trimestre anterior.
O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) também diminuiu, saindo de 17,6% para 16,00% e ficando ainda mais distante da meta de 20% traçada pela instituição para 2027.
Os resultados ficaram abaixo do esperado pelo mercado, que já contava com um trimestre mais fraco devido à sazonalidade do período e aos desafios macroeconômicos.
Segundo as projeções coletadas pela Bloomberg, a expectativa era de um lucro líquido de R$ 4,06 bilhões e de um ROE de 17,5%.
O que pesou no balanço?
Diante dos juros elevados e do alto endividamento das famílias, o Santander registrou uma nova alta da inadimplência no primeiro trimestre de 2026.
💸 A taxa de devedores acima de 90 dias chegou a 3,3%, ante os 2,8% registrados no mesmo período de 2025 e os 3,1% anotados no final de 2025.
Com isso, o banco manteve uma abordagem seletiva no crédito e seguiu tentando diversificar suas receitas. Porém, também precisou manter provisões elevadas.
Ao apresentar o balanço nesta quarta-feira (29), o Santander disse que optou por manter a "disciplina na alocação de capital com foco nos negócios estratégicos, gestão de risco dos portfólios e rentabilidade".
"Mantemos nosso compromisso com resultados sustentáveis de longo prazo, por meio de um balanço sólido e diversificado, impulsionados por uma obsessão pela excelência da experiência de nossos clientes", afirmou.
Os números do 1T26
🏦 A carteira de crédito ampliada do Santander marcava R$ 705,5 bilhões ao final do primeiro trimestre.
O número cresceu 3,4% em um ano, puxado pelos financiamentos imobiliários, pelo crédito imobiliário e pelo segmento das pequenas e micro empresas.
Porém, recuou 0,4% no trimestre, já que o uso dos cartões de crédito é menor no primeiro trimestre do que no quarto trimestre do ano, mas também por causa da variação do
dólar.
Já as PDD (provisões contra devedores duvidosos) somavam R$ 6,34 bilhões -volume 0,7% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, mas 3,9% maior que o do final de 2025.
"Na comparação trimestral a PDD mantém-se pressionada pelo cenário macroeconômico e alto endividamento das famílias; já na comparação anual a queda reflete a ativa gestão de riscos e os efeitos de mix do portfólio", explicou o Santander.
Por outro lado, a receita total do banco avançou nas duas bases de comparação e chegou a R$ 21,2 bilhões, puxada sobretudo pelas comissões.
Segundo o Santander, "as comissões apresentaram boa performance no ano, crescendo 5,8%, resultado do foco na diversificação de receitas, mais balanceadas entre crédito e serviços, sendo um pilar importante de crescimento, com destaque para o avanço das comissões de cartões com 9,8% e seguros com 12,2%". A cifra, porém, recuou 5,5% no trimestre, afetado pela sazonalidade dos cartões.
Já a margem financeira bruta recuou 0,7% no ano e cresceu 3,1% no trimestre, reagindo às mudanças na taxa de juros. E, com isso, marcou R$ 15,8 bilhões.
O que esperar dos outros bancos?
Na avaliação do mercado, esta deve ser mesmo uma temporada de balanços mais fracos para os bancos brasileiros.
Diante dos desafios macroeconômicos e da sazonalidade mais fraca do trimestre, até o
Itaú (ITUB4) pode apresentar um leve recuo no lucro líquido. Ainda assim, o banco deve continuar puxando os resultados do setor, segundo as projeções dos analistas.
O
Bradesco (BBDC4), por outro lado, pode ser o destaque positivo do setor neste trimestre, caso consiga manter a trajetória de recuperação e crescimento gradual dos lucros.