Mais curioso ainda é que o mercado financeiro estava em
clima de lua de mel com a Aegea em fevereiro de 2026, quando essa gigante de R$ 60 bilhões informava já ter contratado bancos que estruturariam seu
IPO, sim, a sua estreia na bolsa de valores brasileira.
Todavia, quando a Aegea publicou seus números do quarto trimestre de 2025 com demora, não foi apenas a queda em seu lucro no período que chamou mais atenção. Na verdade, o que revirou o estômago do mercado foi a revisão de seu patrimônio em 2024, o qual despencou de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,39 bilhões.
Enquanto analistas tomaram ciência da reavaliação de valor justo de títulos e valores mobiliários na coligada Águas do Rio, remensuração de provisões com demandas judiciais, entre outras jabuticabas contábeis, as agências de classificação de risco S&P Global e Fitch Ratings tesouraram a nota de crédito da Aegea.
Daí, não é de se surpreender que as taxas exigidas pelos investidores de renda fixa para emprestar dinheiro à Aegea e sua controlada, a Águas do Rio, tenham disparado nas prateleiras das corretoras de valores.
Conforme apuração do
Investidor10, as
debêntures incentivadas emitidas pela Aegea, sob código de negociação AEGP17, com vencimento em abril de 2027, viram sua remuneração saltar de
CDI+ 2,15% ao ano, quando o título foi lançado em abril de 2021, para a taxa indicativa de
CDI+ 5,77% ao ano nesta segunda-feira (14).
Semelhantemente à dinâmica da marcação a mercado aplicada ao
Tesouro Direto, os títulos de crédito privado, como as debêntures incentivadas, também amargam fortes prejuízos quando as taxas de remuneração sobem fortemente.