Por que FIIs no Brasil estão nas máximas em 2026, mas REITs nos EUA não?

ETF VNQ, o termômetro do mercado imobiliário dos EUA, ainda não recuperou seu topo visto em 2021.

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Publicado em 25/04/2026 às 10:47h Publicado em 25/04/2026 às 10:47h por Lucas Simões
REITs podem fazer dívidas, diferente dos FIIs, por isso, sofrem mais com juros altos (Imagem: Shutterstock)
REITs podem fazer dívidas, diferente dos FIIs, por isso, sofrem mais com juros altos (Imagem: Shutterstock)
No Brasil, mais de 3 milhões de investidores têm fundos imobiliários (FIIs) em carteira, público que colhe bons frutos em 2026. Afinal de contas, o Ifix (índice de referência dos FIIs mais negociados) renovou máxima histórica perto dos 4 mil pontos no último dia 20 de abril. Todavia, os REITs americanos seguem quase -20% distantes de seu topo atingido em 2021.
Da mesma forma que os FIIs distribuem proventos aos cotistas, os REITs (Real Estate Investment Trusts) pagam dividendos em dólar com frequência aos investidores, inclusive com remessas mensais. Lá na terra do Tio Sam, o mercado imobiliário é muito maior, porém, ainda não se recuperou como os primos brasileiros.
Prova disso é o desempenho do Vanguard Real Estate Index Fund ETF (VNQ), investimento que serve de termômetro sobre o mercado imobiliário dos EUA. O ETF VNQ fez sua máxima na região dos US$ 116 por cota no final de 2021. Atualmente, suas cotas valem cerca de US$ 95 cada, ou seja, um desconto de quase -20%.
Outro exemplo ainda mais palpável aos investidores brasileiros é a trajetória do Realty Income (O), um dos poucos REITs que pagam dividendos mensais em dólar. Desde o final de 2021 até o último dia 24 de abril de 2026, sua rentabilidade foi -11%, sem considerar o reinvestimento dos proventos.
Entre os principais fatores que explicam a disparidade entre FIIs no Brasil e REITs nos EUA está o fato de os primos americanos dos nossos fundos imobiliários serem classificados como empresas, o que lhes permite crescer mais rapidamente via emissão de dívida. Logo, quando os juros americanos estão elevados, como agora, os REITs sofrem bem mais que os FIIs brasileiros.
Historicamente, pesa a favor do Ifix um desempenho positivo nos 12 meses subsequentes ao fim de um período de elevações da taxa Selic, cujos ganhos médios giram em torno de +23%.
Por sua vez, com os conflitos no Oriente Médio culminando na disparada do petróleo no mundo e o risco de estaginflação, dificultou-se um corte mais veloz dos juros americanos. Tal evento reduziria as despesas financeiras dos REITs.