Banco do Brasil (BBAS3) quer levar o Pix para os Estados Unidos

O plano foi revelado pouco depois de o governo Trump renovar as críticas ao Pix.

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Publicado em 23/04/2026 às 12:34h Publicado em 23/04/2026 às 12:34h por Marina Barbosa
BB já disponibiliza pagamentos via Pix na Argentina, por meio de um QR Code em lojas parcerias (Imagem: Shutterstock)
BB já disponibiliza pagamentos via Pix na Argentina, por meio de um QR Code em lojas parcerias (Imagem: Shutterstock)
O Banco do Brasil (BBAS3) quer levar o Pix para os Estados Unidos, apesar de todas as críticas do governo de Donald Trump ao sistema de pagamentos instantâneos do Brasil.
🏦 O plano foi revelado nesta quinta-feira (23) pelo CFO do BB, Geovanne Tobias, durante o BB Day 2026, o encontro anual com investidores da instituição.
Ao apresentar os planos do BB para as suas filiais no exterior, Tobias lembrou que o banco lançou recentemente o Pix na Argentina e disse que o desafio agora é fazer o mesmo nos Estados Unidos.
"Temos o BB Americas, com mais de US$ 3 bilhões em ativos", comentou, referindo-se à subsidiária do BB com sede em Miami.

Pix na mira de Trump

O plano do BB veio à tona pouco depois de o governo Trump renovar os ataques ao sistema de pagamentos instantâneos do Brasil.
🔎 O Pix é citado em um relatório do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), sobre as barreiras comerciais que as empresas americanas dizem enfrentar no resto do mundo. 
"Partes interessadas dos EUA expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao Pix, o que prejudica os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA", diz o texto, publicado em março.
Em julho do ano passado, o USTR já havia inquérito para apurar se o Pix representa uma "prática desleal", que prejudica a competitividade das empresas americanas de comércio digital e pagamento eletrônico.
Lançado em 2020 com a promessa de facilitar, reduzir os custos e acelerar os pagamentos realizados no país, o Pix já é o meio da pagamento mais utilizado no Brasil, superando até o dinheiro em espécie e os cartões.
Por isso, vem tirando mercado das empresas de cartão de crédito e débito, como as americanas Visa (VISA34) e Mastercard (MSCD34), que dominam o mercado brasileiro.
Além disso, o Pix é apontado como uma das razões pelas quais o WhatsApp Pay, da Meta (M1TA34), não se popularizou como o esperado pela empresa no Brasil.

Lula e BB reagem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já rebateu as críticas americanas, dizendo que "ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira".
Ao revelar o plano de levar o serviço para os Estados Unidos, o CFO do BB também se posicionou brevemente sobre o assunto.
Lembrando que o Banco do Brasil também é dono de empresas de cartão, como a Cielo; Tobias disse que não vê o Pix como um concorrente, mas como um serviço complementar aos meios de pagamento.

Pix na Argentina

O Banco do Brasil anunciou a chegada do Pix à Argentina no início de março, em parceria com o Banco Patagonia, que faz parte do conglomerado BB.
O serviço está disponível em estabelecimentos comerciais credenciados, que disponibilizam um QR Code para pagamento via Pix.
📱 "O usuário acessa o App da sua instituição financeira brasileira para ler o QRCode, confirma os dados e conclui a transação, sem necessidade de cadastro ou liberação prévia", explicou o banco.
Para realizar o pagamento, o BB realiza uma operação de câmbio para a moeda local, cuja taxa é informada antes de o cliente finalizar a transação.
O pagamento é realizado em reais, com débito direto da conta corrente ou poupança e a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), e aparece no extrato do Pix.
De acordo com o BB, a solução foi desenhada para evoluir e poder ser usada por clientes de todos os bancos, em diferentes locais. Por isso, também pode ser levada a outros países com forte presença de brasileiros.

Os outros planos do BB

Além de avaliar a possibilidade de expandir a aplicação internacional do Pix, o Banco do Brasil pretende ampliar a atuação focada em pessoa física em Portugal.
O BB ainda tem tentado fortalecer a atuação de seus outros negócios, como o banco de investimentos, os seguros e os consórcios, para tentar manter a geração de resultados enquanto o agronegócio se recupera da crise iniciada em 2025.
Por isso, Tobias pediu nesta quinta-feira (23) que os investidores olhem para o BB como um conglomerado financeiro. E disse que, ao adotar uma estratégia de conglomerado, o BB deve passar por esse momento de ajustes, entregar valor para os acionistas e retomar a rentabilidade. Entenda aqui a estratégia do Banco do Brasil.