Pior do mundo em dólares: Ibovespa perde 30 mil pontos desde o recorde em abril

O índice caiu 17,31% em dólares desde o recorde de abril e ficou em último entre 21 bolsas globais, segundo a Elos Ayta.

Author
Publicado em 08/06/2026 às 20:03h Publicado em 08/06/2026 às 20:03h por Matheus Silva
O desempenho coloca o Brasil na última posição do ranking global (Imagem: Shutterstock)
O desempenho coloca o Brasil na última posição do ranking global (Imagem: Shutterstock)
🚨 A bolsa brasileira vive um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Levantamento da Elos Ayta revela que, desde a máxima histórica registrada pelo Ibovespa (IBOV) em 14 de abril de 2026, o principal índice acionário do país acumula a maior queda em dólares entre 21 mercados internacionais analisados.
No período entre 14 de abril e cinco de junho de 2026, o Ibovespa recuou 14,92% em reais, passando de 198.657,33 pontos para 169.019,12 pontos. 
Em 52 dias, foram perdidos 29.638 pontos, uma das correções mais expressivas já observadas após um recorde histórico do índice. Convertido para dólares, o recuo foi ainda mais severo, caindo de 39.886,22 para 32.983,20 pontos, retração de 17,31%, equivalente à perda de 6.903 pontos em moeda americana. 
O desempenho coloca o Brasil na última posição do ranking global elaborado pela Elos Ayta.

Nenhum outro mercado caiu dois dígitos em dólares

Entre os 21 índices analisados, nenhum outro mercado registrou queda de dois dígitos em dólares. O segundo pior desempenho foi o do Chile, cujo IPSA recuou 8,95%, praticamente metade da perda brasileira. Na sequência aparecem Peru (-6,96%), Portugal (-6,80%) e Colômbia (-5,94%).
O contraste com outros mercados é acentuado. Enquanto o Ibovespa liderava as perdas, o Nikkei 225 do Japão avançava 13,97% em dólares, o melhor desempenho da amostra. 
Nos EUA, o Nasdaq subiu 8,76%, seguido pelo S&P 500 (+5,98%) e pelo Dow Jones (+4,80%). Até mercados europeus pressionados por incertezas geopolíticas e desaceleração econômica fecharam o período no campo positivo, como Alemanha (+0,75%) e Itália (+1,18%).

Brasil perde para todos os emergentes latino-americanos

Um dos aspectos mais relevantes do levantamento é que a fragilidade não ficou restrita à comparação com economias desenvolvidas. 
Entre os principais mercados latino-americanos, o Brasil também apresentou o pior desempenho. Chile, Peru, Colômbia, México e Argentina registraram perdas significativamente menores ou estabilidade quando avaliados em dólares.
O resultado sugere que a correção recente possui componentes domésticos mais relevantes do que fatores globais, uma vez que a aversão ao risco não afetou os demais mercados emergentes na mesma intensidade.

Maior saída mensal de estrangeiros desde 2022

A deterioração do Ibovespa coincidiu com uma retirada expressiva de recursos internacionais da B3. Dados da Elos Ayta mostram que investidores estrangeiros retiraram R$ 13,27 bilhões da bolsa brasileira em maio, o maior fluxo negativo mensal desde o início da série histórica disponível em janeiro de 2022. O movimento interrompeu a trajetória positiva observada no primeiro quadrimestre do ano.
O fluxo estrangeiro exerce influência direta sobre o Ibovespa porque os investidores internacionais respondem por parcela relevante do volume negociado na bolsa. 
Quando esses recursos saem, aumenta a pressão vendedora sobre as ações e cresce simultaneamente a demanda por dólares, ampliando o impacto negativo para quem mede o desempenho em moeda americana. O efeito aparece claramente nos números, mostando a queda em dólares mais profunda do que a observada em reais.
A máxima histórica de abril havia sido impulsionada por forte entrada de capital estrangeiro, expectativa de melhora dos resultados corporativos e busca por ativos descontados em relação aos mercados desenvolvidos. A reversão foi rápida, em menos de dois meses, o Brasil saiu da condição de mercado que renovava recordes para a última posição entre os 21 mercados analisados.
Enquanto 15 dos 21 índices da amostra registraram recuo no período, a intensidade das perdas brasileiras foi desproporcional. 
A combinação entre saída recorde de capital estrangeiro, desvalorização cambial e desempenho inferior aos demais emergentes coloca a bolsa sob observação, especialmente porque o comportamento dos fluxos internacionais costuma ser um dos principais termômetros da confiança dos investidores globais em relação ao país.

Metodologia

📊 O levantamento da Elos Ayta com base no desempenho de 21 índices acionários internacionais entre 14 de abril de 2026 e cinco de junho de 2026. As rentabilidades foram analisadas em moeda local e em dólares para comparação homogênea entre os mercados.