📊 A menos de três meses das eleições presidenciais, gestores responsáveis por cerca de R$ 180 bilhões em recursos defenderam durante a XP Expert que o mercado financeiro pode estar subestimando as chances de derrota do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro.
Para João Landau, gestor da Vista Capital, o quadro eleitoral está mais equilibrado do que os números convencionais indicam. "Eu criei a minha teoria de que, apesar das dificuldades do momento, o Lula está para perder essa eleição", afirmou.
Na avaliação de Landau, a leitura tradicional das pesquisas pode superestimar a vantagem do presidente. Segundo ele, a elevada abstenção e o crescimento dos votos nulos, especialmente observados em São Paulo, além do comportamento dos eleitores indecisos, apontam para uma disputa mais competitiva do que o cenário-base do mercado sugere.
"O Lula incorporou parte do eleitorado que havia se abstido nas últimas eleições. Quando vejo uma diferença de cinco ou seis pontos nas pesquisas, considero que ele está, na prática, empatado", disse o gestor.
Landau acrescentou que os eleitores que ainda se dizem indecisos no segundo turno tendem, historicamente, a migrar para candidatos de direita, o que reduziria ainda mais a vantagem do petista.
"Eu tenho mais confiança de que o Lula perde do que o próprio mercado. Acho que essa disputa será muito mais equilibrada", afirmou.
Gestor cita Caiado, Zema e Renan Santos como variáveis ainda em formação
Apesar da avaliação, Landau ponderou que o cenário permanece aberto. Ele citou a possibilidade de surgimento de diferentes candidaturas no campo da direita, mencionando Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, e Renan Santos, do Missão, destacando que o quadro ainda está em formação.
O gestor também afirmou que o mercado subestima a capacidade de mobilização de movimentos como o MBL.
Ao mesmo tempo, Landau alertou que o ambiente econômico segue delicado. "Estamos muito próximos de um evento de dívida. Mas ainda há muita coisa para acontecer até essa eleição", disse.
Nem a vitória da oposição não resolve os problemas do Brasil
Ruy Alves, da Kinea, adotou uma perspectiva mais ampla ao defender que os desafios econômicos vão além do resultado das urnas. Na sua avaliação, o país precisará enfrentar questões estruturais acumuladas ao longo dos últimos anos, independentemente de quem assumir o Palácio do Planalto.
"Eu não sei quem vai ganhar a eleição. Se o Flávio Bolsonaro ganhar, você acha que isso resolve o problema? Sem planejamento e sem apoio político, não resolve. Não existe salvador da pátria. Mesmo que a oposição vença, o trabalho será muito difícil", afirmou.
📈 A avaliação dos dois gestores reforça uma percepção crescente entre parte dos investidores de que o debate eleitoral já começou a influenciar as expectativas para os ativos brasileiros, mesmo que as pesquisas ainda mostrem uma vantagem confortável para o atual presidente.