🚨 O governo dos EUA planejava enviar a Brasília dois altos funcionários do Departamento de Estado com o objetivo, segundo o The Washington Post, de lançar suspeitas sobre a integridade e a transparência do sistema eleitoral brasileiro, a poucas semanas do pleito presidencial marcado para 4 de outubro.
O governo Lula, porém, negou o visto de entrada aos dois oficiais, segundo apuração do Metrópoles.
A delegação seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) do Departamento de Estado, e Samuel D. Samson, subsecretário-assistente do mesmo departamento, ambos nomeados por Trump.
O pedido de visto foi protocolado no Consulado do Brasil em Washington em 20 de julho. O Departamento de Estado confirmou a viagem, mas não detalhou o objetivo.
Diplomatas brasileiros classificaram a visita como ingerência
Nos bastidores, a iniciativa provocou reação de diplomatas brasileiros. "É uma manobra totalmente incompatível com a democracia brasileira", afirmou um diplomata ao Washington Post, sob anonimato. Segundo o jornal, a suspeita é de que Barnes e Samson buscariam interlocução com críticos das urnas eletrônicas para produzir relatórios capazes de deslegitimar o sistema de votação.
Até dentro do próprio Departamento de Estado houve críticas à estratégia. "É extremamente nocivo ver este secretário usar o poder americano para minar eleições confiáveis em outras nações por motivos ideológicos", disse um integrante do órgão, também sob condição de anonimato, ao Washington Post.
Para o governo brasileiro, a visita configuraria tentativa de influenciar o resultado da disputa presidencial de outubro. Por esse motivo, o Ministério das Relações Exteriores optou por negar a entrada dos oficiais.
Segundo o Metrópoles, os funcionários informaram que pretendiam se encontrar com o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com autoridades eleitorais para tratar de temas como liberdade de expressão e o pleito de outubro.
Flávio Bolsonaro voltou a associar urnas à Smartmatic
A eventual viagem ocorreria na esteira das declarações de Flávio Bolsonaro a embaixadores na terça-feira (21), quando ele voltou a colocar em xeque as urnas eletrônicas ao associá-las à empresa venezuelana Smartmatic nas eleições de 2012.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já desmentiu a versão. No mesmo sentido, Flávio Bolsonaro também defendeu a ampliação de observadores internacionais para o pleito de outubro.
A movimentação ocorre em meio a um ambiente de atritos bilaterais que inclui disputas sobre liberdade de expressão, medidas comerciais e o processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
📊 Segundo o Washington Post, a iniciativa faz parte de uma postura mais ampla do governo Trump de apoio a agendas conservadoras na América Latina.