EUA tentam enviar delegação para investigar urnas eletrônicas no Brasil; Lula reage

Segundo o Washington Post, os EUA queriam enviar representantes a Brasília para questionar as eleições a poucas semanas do pleito.

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Publicado em 25/07/2026 às 13:03h Publicado em 25/07/2026 às 13:03h por Matheus Silva
O pedido de visto foi protocolado no Consulado do Brasil em Washington em 20 de julho (Imagem: Shutterstock)
O pedido de visto foi protocolado no Consulado do Brasil em Washington em 20 de julho (Imagem: Shutterstock)
🚨 O governo dos EUA planejava enviar a Brasília dois altos funcionários do Departamento de Estado com o objetivo, segundo o The Washington Post, de lançar suspeitas sobre a integridade e a transparência do sistema eleitoral brasileiro, a poucas semanas do pleito presidencial marcado para 4 de outubro. 
O governo Lula, porém, negou o visto de entrada aos dois oficiais, segundo apuração do Metrópoles.
A delegação seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) do Departamento de Estado, e Samuel D. Samson, subsecretário-assistente do mesmo departamento, ambos nomeados por Trump. 
O pedido de visto foi protocolado no Consulado do Brasil em Washington em 20 de julho. O Departamento de Estado confirmou a viagem, mas não detalhou o objetivo.

Diplomatas brasileiros classificaram a visita como ingerência

Nos bastidores, a iniciativa provocou reação de diplomatas brasileiros. "É uma manobra totalmente incompatível com a democracia brasileira", afirmou um diplomata ao Washington Post, sob anonimato. Segundo o jornal, a suspeita é de que Barnes e Samson buscariam interlocução com críticos das urnas eletrônicas para produzir relatórios capazes de deslegitimar o sistema de votação.
Até dentro do próprio Departamento de Estado houve críticas à estratégia. "É extremamente nocivo ver este secretário usar o poder americano para minar eleições confiáveis em outras nações por motivos ideológicos", disse um integrante do órgão, também sob condição de anonimato, ao Washington Post.
Para o governo brasileiro, a visita configuraria tentativa de influenciar o resultado da disputa presidencial de outubro. Por esse motivo, o Ministério das Relações Exteriores optou por negar a entrada dos oficiais. 
Segundo o Metrópoles, os funcionários informaram que pretendiam se encontrar com o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com autoridades eleitorais para tratar de temas como liberdade de expressão e o pleito de outubro.

Flávio Bolsonaro voltou a associar urnas à Smartmatic

A eventual viagem ocorreria na esteira das declarações de Flávio Bolsonaro a embaixadores na terça-feira (21), quando ele voltou a colocar em xeque as urnas eletrônicas ao associá-las à empresa venezuelana Smartmatic nas eleições de 2012. 
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já desmentiu a versão. No mesmo sentido, Flávio Bolsonaro também defendeu a ampliação de observadores internacionais para o pleito de outubro.
A movimentação ocorre em meio a um ambiente de atritos bilaterais que inclui disputas sobre liberdade de expressão, medidas comerciais e o processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. 
📊 Segundo o Washington Post, a iniciativa faz parte de uma postura mais ampla do governo Trump de apoio a agendas conservadoras na América Latina.