O acordo não envolve credores operacionais, de modo a preservar a continuidade das atividades da empresa, que mantém 17 unidades hospitalares pelo país.
Ou seja, a Kora Saúde busca renegociar apenas dívidas não operacionais, como aquelas mantidas com investidores e instituições financeiras.
Porém, pretende manter o pagamento de fornecedores, médicos, colaboradores, prestadores de serviços, locatários de imóveis e equipamentos, redes conveniadas, planos de saúde e parceiros comerciais.
"Com uma rede de cerca de 2.100 leitos — sendo mais de 650 de UTI —, 11 mil colaboradores e um corpo clínico de 10 mil médicos, a Companhia segue firme no compromisso de oferecer atendimento de excelência nas regiões onde atua", afirmou.
As negociações
🤝 Para avançar com esse plano, a Kora Saúde fez um acordo com seus principais credores quirografários não operacionais, com foco nas dívidas de curto e médio prazo.
A companhia ainda mantém "tratativas avançadas" com credores titulares de outras obrigações não operacionais, de forma a viabilizar uma "reestruturação abrangente" do seu passivo.
Afinal, diferente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial envolve a negociação direta da dívida com os credores e precisa da aprovação de 50% dos envolvidos para seguir adiante.
Na avaliação da Kora Saúde, "essa iniciativa representa um passo estratégico decisivo, o qual visa consolidar a solidez do grupo e assegurar condições para que a Companhia continue cumprindo sua missão de oferecer serviços de saúde de alta complexidade à população brasileira".
"Concluído o processo, a Kora Saúde emergirá com uma estrutura de capital significativamente mais leve, alavancagem reduzida e fluxo de pagamentos alinhado à sua capacidade de geração de caixa — bases sólidas para continuar entregando valor aos seus pacientes, parceiros e colaboradores", afirmou.
Outros casos
💲 De acordo com analistas, a recuperação extrajudicial uma forma mais rápida e menos custosa do que a recuperação judicial de as empresas renegociarem suas dívida.
Não à toa, este também foi o instrumento escolhido por
Raízen (RAIZ4) e
GPA (PCAR3) para reequilibrar suas contas recentemente.
A
Lupatech (LUPA3), companhia que fabrica equipamentos para a produção de petróleo e gás, também tenta repactuar sua dívida dessa forma. Para isso, propõe até a conversão de dívidas em ações.
Veja a proposta aqui.
Afinal, a empresa já admitiu que não tinha condições de cumprir com os compromissos financeiros assumidos no curto prazo e falou até em "incertezas significativas da continuidade operacional" ao apresentar o
balanço do quarto trimestre de 2025. Além disso, já foi à Justiça pedir proteção contra o vencimento antecipado de dívidas.
Recentemente, a
Alliança Saúde (AALR3) também conseguiu a suspensão dos seus débitos por um prazo de 60 dias na Justiça e disse que vai usar esse período para renegociar os pagamentos com seus credores, o que pode ser o início de uma recuperação extrajudicial.