Com aumento de gastos, Meta perde recomendações e desaba em Wall Street

Mercado reage negativamente à projeção de capex e incertezas com IA.

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Publicado em 30/04/2026 às 12:43h Publicado em 30/04/2026 às 12:43h por Wesley Santana
Facebook, Instagram e WhatsApp são alguns dos apps da Meta (Imagem: Shutterstuck)
Facebook, Instagram e WhatsApp são alguns dos apps da Meta (Imagem: Shutterstuck)

Mesmo com um lucro bem mais alto que as estimativas, a Meta (M1TA34) não tem o que comemorar nesta quinta-feira (30). Em Wall Street, as ações da companhia, que comanda Facebook e Instagram, despencaram no pregão, conforme mostram dados da Nasdaq.

Desde o começo da manhã, a big tech perdeu quase 10% do seu valor de mercado. Com isso, as ações são negociadas abaixo de US$ 605 cada uma, um patamar que já havia sido superado há algumas semanas.

No Brasil, os BDRs da companhia passam por uma queda mais tímida, mas, mesmo assim, bastante expressiva. Os papéis caem cerca de 4%, negociando na faixa de R$ 107, segundo informações da B3.

O movimento das ações vem na esteira da decisão de diversos bancos de investimentos de retirarem suas recomendações de compra para as ações da Meta. O JP Morgan ainda foi além e cortou o preço-alvo de US$ 825 para US$ 725.

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Os analistas chamaram a atenção para o crescimento nos gastos da companhia com infraestrutura de nuvem e com inteligência artificial. Eles dizem que não enxergam como a big tech vai traduzir esses esforços em novas fontes de receita, já que suas concorrentes estão mais posicionadas nos setores.

Diante disso, o banco destaca que as ações da Meta podem ficar pressionadas nos próximos trimestres, o que justificaria uma revisão na recomendação de compra. Tudo pode mudar caso fiquem mais claros os planos da marca para IA.

No balanço publicado na véspera, a Meta projetou um capex de até US$ 145 bilhões para 2026, elevando a projeção anterior, que era de US$ 135 bi para o ano. Já as expectativas de receita para o segundo trimestre ficaram na casa de US$ 60 bilhões, um pouco acima do consenso, que fala em US$ 59 bi.

Na análise da XP Investimentos, o balanço veio com surpresas positivas, especialmente nas receitas do 1T26. A divisão de publicidade segue como principal motor de crescimento do negócio, crescendo cerca de 33% na comparação anual.

Os analistas, no entanto, ponderaram: apesar de um trimestre operacionalmente forte, com crescimento robusto de receita, monetização consistente em publicidade e sinais iniciais de tração em IA, o aumento relevante do capex projetado eleva o nível de incerteza sobre a trajetória de retornos no médio prazo”, escreveram Maria Iene Jordão e Raphael Figueredo.