Justiça suspende dívidas da Oi (OIBR3) por mais 60 dias a pedido do Bradesco

A justiça do RJ prorrogou a suspensão de dívidas após recurso do Bradesco, que argumentou que a falência imediata prejudicaria credores.

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Publicado em 14/04/2026 às 06:00h Publicado em 14/04/2026 às 06:00h por Matheus Silva
O caso chegou ao tribunal após o Bradesco recorrer da decisão (Imagem: Shutterstock)
O caso chegou ao tribunal após o Bradesco recorrer da decisão (Imagem: Shutterstock)
🚨 A Justiça do Rio de Janeiro manteve nesta segunda-feira (13) a recuperação judicial da Oi (OIBR3) e prorrogou por mais 60 dias a suspensão do pagamento de obrigações extraconcursais.
A decisão é da desembargadora Mônica Maria Costa, do TJ-RJ, no âmbito de agravo apresentado pelo Bradesco (BBDC4), credor relevante do grupo.
Na prática, a medida estende o fôlego financeiro da operadora em meio à reestruturação, permitindo a continuidade do plano de recuperação judicial e a execução de medidas para geração de caixa.
"Não se trata de preservar a empresa a qualquer custo, mas de impedir o colapso dos serviços essenciais", afirmou a relatora na decisão. 
Segundo a magistrada, a suspensão temporária das cobranças é "necessária para preservar o caixa da companhia" e garantir a continuidade dos serviços de telecomunicações, considerados essenciais.

Caixa insuficiente para cobrir todas as obrigações ao mesmo tempo

O cenário financeiro da Oi segue delicado. De acordo com o gestor judicial, as demonstrações mais recentes indicam que a geração de caixa operacional ainda é insuficiente para cobrir simultaneamente as obrigações do plano de recuperação, as dívidas extraconcursais e as despesas recorrentes. 
O passivo extraconcursal permanece significativamente superior à posição de caixa consolidada, mantendo a empresa dependente de medidas extraordinárias para evitar deterioração financeira.
Nesse contexto, a Justiça concluiu que a retomada imediata da cobrança dessas dívidas poderia comprometer tanto a reestruturação quanto a prestação de serviços.
A decisão também reforça o papel da gestão judicial na condução do processo, destacando que o grupo segue em fase crítica de transição, com venda de ativos e reorganização operacional em andamento.
A gestão judicial vem conduzindo medidas para melhorar o fluxo de caixa, reduzir despesas e estruturar a venda de ativos, enquanto organiza a transição dos serviços para terceiros. 
A prorrogação da suspensão das dívidas é vista pela decisão como condição necessária para a conclusão dessas etapas.

Bradesco recorreu da falência e defende venda organizada de ativos

O caso chegou ao tribunal após o Bradesco recorrer da decisão de primeira instância que havia convertido a recuperação judicial em falência. 
O banco argumentou que a liquidação imediata seria mais prejudicial aos credores e ao interesse público, defendendo que a venda organizada de ativos poderia gerar maior recuperação de créditos. 
📊 A instituição também destacou que a Oi ainda possui ativos relevantes e presta serviços essenciais, inclusive para o próprio Bradesco, o que reforçaria a necessidade de manutenção das operações.