O ano começou com mudanças tributárias importantes para os investidores que buscam uma renda passiva na B3.
💲 Afinal, o governo federal retomou a
taxação dos dividendos, aplicando uma cobrança de 10% nos pagamentos que superam R$ 50 mil por mês por pessoa.
Já a
alíquota de IR (Imposto de Renda) que incide sobre o pagamento de JCP (Juros sobre o Capital Próprio) subiu de 15% para 17,5%.
Com isso, muitas empresas anunciaram
dividendos de forma antecipada no ano passado para escapar da taxação e elevaram a aposta nos juros sobre o capital próprio neste ano.
Resultado: o pagamento de proventos recuou 28% no primeiro semestre de 2026 e foi puxado pelos juros sobre o capital próprio.
JCP batem recorde
De acordo com a plataforma Meu Dividendo, as empresas listadas na B3 distribuíram
R$ 126,7 bilhões em proventos nos seis primeiros meses de 2026, um valor bem aquém do recorde de R$ 176 bilhões registrado no mesmo período de 2025.
📊 Além disso, a maior parte disso foi paga sob a forma de JCP, que está sujeito à retenção de Imposto de Renda independentemente do valor recebido por cada acionista.
Pelos cálculos da Meu Dividendo, os JCP totalizaram R$ 68,9 bilhões e os dividendos somaram R$ 57,0 bilhões no primeiro semestre de 2026, enquanto outros proventos, como restituições aos acionistas, chegaram a R$ 800 milhões.
Esta foi a primeira vez que o pagamento de JCP superou o de dividendos no período. Para se ter ideia, os JCP representaram 35% dos proventos pagos pelas empresas da B3 no primeiro semestre de 2025 mas alcançaram uma participação recorde de 54,3% neste ano.
Veja a participação dos JCP no total de proventos pago pelas empresas da B3 no 1º semestre:
- 2020: 45%;
- 2021: 26%;
- 2022: 25%;
- 2023: 32%;
- 2024: 35%;
- 2025: 35%;
- 2026: 54%.
Na avaliação da Meu Dividendo, esse cenário mostra que o investidor e as empresas devem se manter atentos aos projetos que buscam mudar as regras do JCP, que vez por outra aparecem em discussão no Congresso Nacional.
"O recorde de 54,3% reforça a importância do mecanismo para o mercado de capitais. Qualquer mudança legislativa impactaria diretamente centenas de milhares de investidores de renda variável", afirmou.
Dividendos caem 28% no 1S26
De acordo com a Meu Dividendo, o volume de dividendos pagos pelas empresas da B3 recuou 28% no primeiro semestre de 2026, frente ao mesmo período de 2025.
Ainda assim, o número seguiu acima dos patamares registrados antes da pandemia de covid-19, o que, na avaliação da plataforma, mostra que o mercado brasileiro opera num novo patamar de generosidade ao acionista.
Veja quanto as empresas da B3 pagaram em dividendos no 1º semestre:
- 2020: R$ 59,9 bi;
- 2021: R$ 109,7 bi;
- 2022: R$ 150,4 bi;
- 2023: R$ 134,3 bi;
- 2024: R$ 164,8 bi;
- 2025: R$ 176,0 bi;
- 2026: R$ 126,7 bi.