iFood acusa rival de espionagem e pede R$ 1 milhão na Justiça

Keeta nega irregularidades e afirma atuar conforme a legislação brasileira.

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Publicado em 20/05/2026 às 12:12h Publicado em 20/05/2026 às 12:12h por Wesley Santana
Empresas de delivery estão espalhadas pelas grandes cidades do país (Imagem: Shutterstuck)
Empresas de delivery estão espalhadas pelas grandes cidades do país (Imagem: Shutterstuck)

A concorrência pelo setor de delivery no Brasil está cada vez mais acirrada com a chegada de novos players e a disputa entre eles. Desta vez, o iFood decidiu processar a Keeta por suposta concorrência desleal.

A plataforma de entregas diz que sua rival está praticando espionagem corporativa por meio de consultorias que abordam funcionários para obter informações estratégicas. A ação foi ajuizada na Justiça de São Paulo, cidade em que as duas empresas de origem estrangeira atuam.

A investigação do iFood começou depois que foi identificado um funcionário que aceitou a proposta da Keeta e fez uma videoconferência enquanto ainda prestava serviços. Os contatos mostraram que credenciais vinculadas à concorrente, como contas de e-mail, participavam da chamada.

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Por isso, no processo, o iFood pede o pagamento de multa no valor de R$ 1 milhão por danos morais, além de indenização adicional. Ainda não há data para que a ação seja julgada em SP.

Procurada pela imprensa, a Keeta informou que ainda não foi notificada, mas que opera em conformidade com a legislação local. A empresa também negou que abordasse funcionários de terceiros para obter informações confidenciais.

Já o iFood destacou que tomou as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis contra as práticas de concorrência desleal. “A empresa continuará trabalhando para identificar as empresas envolvidas e promover um ambiente ético e de respeito às leis no ecossistema de delivery brasileiro”, diz a nota.

iFood volta ao Cade

Mas o iFood também voltou a ser alvo de ações do órgão que controla a concorrência no Brasil. O Cade abriu uma nova investigação contra a plataforma para apurar eventuais descumprimentos do acordo firmado em 2023.

Na época, depois de serem apontados indícios de abuso de posição dominante, a empresa assinou um termo para limitar os acordos de exclusividade. A prática prevê um número de restaurantes por cidade que não podem trabalhar para concorrentes, apenas para o iFood.

Por meio de nota, o iFood disse que “teve conhecimento da nota técnica do Cade e irá fornecer todos os esclarecimentos sobre os pontos levantados pelo órgão. A empresa reafirma seu compromisso com a autoridade antitruste e está segura em relação ao cumprimento do Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado em 2023”.

Hoje, o iFood tem uma fatia de 80% do mercado nacional de delivery de restaurantes, o que lhe dá uma vantagem competitiva muito alta em relação aos concorrentes. Fatos como esse fizeram com que diversas empresas deixassem o país, como foi o caso do Uber Eats.