Ibovespa cai forte com cenário eleitoral no foco; dólar supera os R$ 5

Bolsa reage à corrida presidencial, enquanto juros e petróleo também movimentam os mercados.

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Publicado em 19/05/2026 às 12:11h Publicado em 19/05/2026 às 12:11h por Wesley Santana
Pesquisas eleitorais começam mostrando opinião dos eleitores para pleito de outubro (Imagem: Shutterstuck)
Pesquisas eleitorais começam mostrando opinião dos eleitores para pleito de outubro (Imagem: Shutterstuck)

A corrida eleitoral vai se desenhando cada vez mais e cada mudança no xadrez político causa impacto na bolsa de valores. Foi assim na semana passada, por exemplo, quando a imprensa divulgou áudios ligando Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Naquele dia, a bolsa de valores caiu forte, mostrando que o mercado já estava confuso com a candidatura do herdeiro de Jair Bolsonaro. Mas tudo se manteve um pouco mais calmo até a manhã de hoje, quando saiu uma pesquisa mostrando a percepção do público sobre o assunto e dando vantagem a Lula (PT) na corrida eleitoral de outubro.

Na manhã desta terça, a bolsa de valores opera com forte queda, recuando mais de 1% e negociando na faixa dos 175 mil pontos. Nos primeiros minutos depois da abertura do pregão, porém, o desempenho tinha sido ainda pior, com queda de quase 2%, mostram dados da B3.

No fechamento desta reportagem, o destaque era para a B3 (B3SA3), que via seus papéis recuarem mais de 3,4%, negociando na faixa de R$ 16. A responsável pela bolsa anunciou o nome de seu novo CEO, cargo que será ocupado por Christian Egan, ex-Itaú e Credit Suisse.

No entanto, a liderança negativa fica com as Casas Bahia (BHIA3), que ainda sente os reflexos do balanço do primeiro trimestre, caindo quase 5%. O pódio de baixas fica completo com Automob (AMOB3), que recua 3% e vai a R$ 14,10, conforme histórico da B3.

No lado positivo, a Raízen (RAIZ4) tem um segundo dia de alta, mas nada suficiente para tirar a companhia do status de penny stock. As ações avançam mais de 2%, sendo negociadas em R$ 0,44.

Quem também desfruta de um bom momento é a Usiminas (USIM5), que teve seu preço-alvo elevado pelo Safra. O banco projeta um crescimento de até 10% nos papéis, o que pode levar a companhia a negociar suas ações em R$ 9,70.

Mercados globais

Já o dólar dos EUA reage também à guerra no Irã, com a decisão de Trump de não atacar o país do Oriente Médio neste momento. Com isso, a moeda se fortaleceu frente ao real, avançando 0,9%, para R$ 5,04.

O mesmo acontece com o euro, que volta a ser negociado acima de R$ 5,84, depois de subir 0,4% no dia. O Bitcoin (BTC), por sua vez, tem uma trajetória tímida, com avanço de 0,1% para a faixa de R$ 386 mil, conforme dados dos monitores de criptomoedas.

O alívio veio, no entanto, do preço do petróleo, que dá sinais de recuperação nas últimas horas. Neste momento, o barril do tipo Brent é negociado a US$ 110 no mercado internacional, valor que representa uma queda de 1,7% em relação à véspera.

E os juros?

O desenho eleitoral e a guerra no Irã também mexem com o mercado de renda fixa, que vê os juros avançarem para o maior patamar em cerca de 12 meses. Nesta terça, no Tesouro Direto, os maiores efeitos estão nos títulos prefixados, que chegaram a ser vendidos com rendimento de 14,40% ao ano, no caso do Prefixado com Juros Semestrais 2037.

O mesmo acontece nos Estados Unidos, onde os bonds de longo prazo atingiram máximas de décadas, conforme dados do Tesouro. Analistas de corretoras locais dizem que as remunerações no país podem chegar a 5,5% anuais, algo visto pela última vez em 2004.