Ibovespa cai após aumento do Bolsa Família: por que mercado azedou?

No mercado de commodities, o petróleo recuava 1,91%, negociado a US$ 100,52.

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Publicado em 17/09/2026 às 12:03h - Atualizado em 17/09/2026 às 12:18h Publicado em 17/09/2026 às 12:03h Atualizado em 17/09/2026 às 12:18h por Elanny Vlaxio
(Imagem: Shutterstock)
(Imagem: Shutterstock)
O Ibovespa abriu a quinta-feira (17) no campo negativo e recuava 0,41%, aos 184.788,38 mil pontos, às 11h31, no horário de Brasília. No mesmo momento, o dólar subia 0,30%, cotado a R$ 5,16, em uma sessão que combina a repercussão do aumento do Bolsa Família com o ambiente de pós-Copom (Comitê de Política Monetária).
Depois da decisão do Copom, o mercado segue de olho nos efeitos da sinalização dos juros sobre os ativos. Lá fora, o clima era mais favorável, com as bolsas internacionais operando em alta. No mercado de commodities, o petróleo recuava 1,91%, negociado a US$ 100,52. 
Enquanto isso, o IFIX avançava 0,03%, aos 3.743,63 mil pontos, praticamente estável no pregão. Com isso, o mercado brasileiro apresentava uma fotografia mista nesta manhã. Entre as criptomoedas, o movimento era de alta. O Bitcoin avançava 1,89%, enquanto o Ethereum ganhava 3,85%. Veja como operavam as bolsas em Nova York:

Por que mercado azedou?

O governo federal anunciou um reajuste de cerca de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Com a mudança, o piso do programa sobe de R$ 600 para R$ 691, movimento que azedou o humor dos investidores e trouxe novas discussões sobre a trajetória dos juros.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o aumento é ruim por dois motivos. 
"O reajuste de 15% do Bolsa Família não é pouca coisa. Isso vai ter um efeito sobre a demanda, sem dúvidas. O argumento do governo é que eles vêm corrigindo pela inflação acumulada. Enfim, não é que não deva haver um reajuste, mas esse reajuste deveria ser um reajuste anual programado", analisou.
Para ele, o segundo ponto também é o timing, visto que: "O pagamento do Bolsa Família é feito nos últimos 10 dias do mês, e isso, numa grande coincidência, vai acontecer nos mesmos dias em que acontece o segundo turno das eleições."
O especialista ainda acrescentou: "Sem dúvidas, temos um impacto fiscal. O governo vai ter que ajustar o orçamento para o ano que vem. E isso já mexe com os mercados. A gente já vê a bolsa, que estava subindo, hoje caindo e a curva de juros e o dólar reagindo, seja pela questão fiscal, seja porque isso pode ser interpretado como algo que pode aumentar as chances do Lula nas eleições, sobretudo no segundo turno."
No cenário doméstico, as atenções também estão voltadas para o pós-Copom. O Comitê reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Enquanto o Brasil avança em seu ciclo de cortes, os Estados Unidos caminham em outra direção. O Federal Reserve (Fed), banco central americano, elevou os juros pela primeira vez em três anos.
"A ata do Copom deve trazer mais detalhes sobre os pontos debatidos e pode mostrar uma perspectiva mais clara sobre os próximos passos do comitê. Para além disso, os indicadores de inflação e atividade econômica devem ser decisivos para justificar ou não um novo corte na Selic na próxima reunião", analisou Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP.
Veja também as maiores altas do Ibovespa
  • SANB11: +2.08% a R$ 30,40;
  • SUZB3: +1.18% a R$ 47,25;
  • VALE3: +1.08% a R$ 73,79;
  • BRAP4: +0.82% a R$ 21,02;
  • EMBJ3: +0.73% a R$ 95,99;
E as maiores baixas
  • CMIN3: -5.76% a R$ 5,73;
  • TEND3: -5.04% a R$ 29,23;
  • CURY3: -4.40% a R$ 29,13;
  • MRVE3: -4.03% a R$ 5,48;
  • CEAB3: -3.90% a R$ 8,86.