Os brasileiros voltam às urnas neste domingo (25) para eleger o futuro presidente da República -uma decisão que vai ditar o rumo do país e também dos investimentos na Bolsa.
O
Ibovespa disparou, o
dólar cedeu e os juros futuros recuaram depois do primeiro turno das eleições, em meio à expectativa do mercado de que uma eventual troca de governo leve à mudança da política fiscal e à queda dos juros brasileiros.
Acompanhe todas as notícias pelo celular!
Baixe o app
Agora, a dúvida é se esse movimento vai continuar. Afinal, as
pesquisas indicam que
Flávio Bolsonaro (PL) chega ao segundo turno com uma vantagem numérica, mas ainda empatado tecnicamente com
Lula (PT). Ou seja, a eleição não está decidida e os investidores ainda aguardam mais detalhes do próximo governo.
De acordo com Bruno Guimarães, planejador financeiro pela Planejar, a eventual vitória de Flávio Bolsonaro confirmaria o que o mercado já precifica em boa medida. Porém, a sustentação da alta da Bolsa nesse cenário dependeria de sinais concretos, como a equipe econômica e a regra fiscal do novo governo.
"Se os investidores comprarem ações esperando ajuste fiscal, queda dos juros e reformas, mas essas medidas não avançarem, parte da valorização pode ser devolvida rapidamente", reforçou o especialista em investimentos e sócio da GT Capital, Josias Bento.
O head de renda variável da Faz Capital, Alexandre Pletes, lembrou também que a eventual vitória de Flávio ainda poderia colocar outro desafio na mesa: a reversão dos atuais subsídios aos combustíveis, o que teria impacto direto na inflação.
Já a reeleição de Lula seria recebida com surpresa pelo mercado e traria uma reação mais intensa aos ativos financeiros no curto prazo, o que pode implicar na queda da Bolsa, na alta do dólar e dos juros futuros nos próximos dias. Porém, essa reação deve ser calibrada no médio prazo pelos sinais de política econômica do governo, segundo Bruno Guimarães.
Diante disso, a expectativa é de que o resultado das eleições afete os setores e as empresas da B3 de forma distinta. O Investidor10 mostra abaixo o que os analistas esperam em cada um dos possíveis cenários eleitorais.
Quais setores ganham caso Flávio seja eleito?
💲 Na avaliação do mercado, Flávio Bolsonaro implementaria uma política fiscal mais rígida que a do atual governo Lula, o que poderia reduzir os juros brasileiros.
Dessa forma, a eleição do candidato do PL poderia favorecer os setores e empresas mais sensíveis à política monetária. É o caso de varejo, construção, shoppings, locação de veículos, saúde, serviços financeiros ligados a crédito e mercado de capitais, além de empresas mais endividadas.
O especialista em investimentos e sócio da GT Capital, Josias Bento, lembra, porém, que a eventual queda dos juros não beneficiaria todas as empresas de um mesmo setor da mesma forma.
"Uma construtora com dívida elevada, uma varejista com margens pressionadas e uma empresa de infraestrutura com problemas regulatórios podem continuar enfrentando dificuldades mesmo em um cenário macroeconômico mais favorável", explicou.
A avaliação é de que a queda dos juros reduziria o custo de capital, ao mesmo tempo em que melhoraria a renda e a capacidade de financiamento das famílias, favorecendo a rentabilidade de incorporadoras de médio e alto padrão como a Cyrela e as vendas de varejistas como a Renner.
Em paralelo a isso, a queda dos juros poderia levar a uma reprecificação dos ativos brasileiros, movimentando o mercado de capitais e criando novas oportunidades de negócios para bancos de investimento como o BTG.
Além da queda dos juros, o mercado espera um avanço na agenda de privatizações e concessões em um eventual governo Flávio, além de uma gestão mais técnica das empresas estatais.
Por isso, os especialistas recomendam acompanhar o desempenho dos setores de energia elétrica, saneamento, rodovias, ferrovias, portos, gás natural e infraestrutura logística.
Quais setores ganham caso Lula seja reeleito?
💵 Já a reeleição de Lula deve levar à manutenção da atual política fiscal -um cenário que, na avaliação do mercado, pode levar a juros altos por mais tempo e um real mais fraco.
Nesse sentido, empresas sensíveis à economia doméstica seguiriam pressionadas pelos juros altos, mas bancos e seguradoras ganhariam com isso.
Além disso, exportadores poderiam se beneficiar da eventual alta do dólar. É o caso de empresas de mineração, siderurgia, celulose, proteína animal e bens industriais exportadores.
"Os setores relativamente mais protegidos são os que dependem menos da demanda doméstica e do custo do crédito", afirmou Bruno Guimarães.
"Eu priorizaria empresas com exposição internacional, geração de caixa, balanços sólidos e capacidade de atravessar períodos de maior volatilidade doméstica", acrescentou Josias Bento.
Já o educador financeiro da Planejar lembra que empresas de telecomunicações e energia apresentam fluxos de caixa previsíveis e, por isso, são procuradas como ativos defensivos em momentos de volatilidade.