Federal Reserve mantém juros, mas briga nos bastidores assusta investidores

Sob o comando de Kevin Warsh, o escolhido de Donald Trump, o banco central dos EUA vive dilema.

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Publicado em 29/07/2026 às 15:31h Publicado em 29/07/2026 às 15:31h por Lucas Simões
Manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75% ao ano não foi unânime e gera racha no FED (Imagem: Divulgação/Federal Reserve)
Manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75% ao ano não foi unânime e gera racha no FED (Imagem: Divulgação/Federal Reserve)
O Federal Reserve (FED), órgão americano equivalente ao nosso Banco Central, manteve os juros inalterados na banda entre 3,50% e 3,75% ao ano, sem grandes surpresas para a maioria do mercado, que já precificava tal decisão. Todavia, é a dissidência interna entre os banqueiros americanos que vem derrubando as bolsas de valores.
Afinal de contas, os membros votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) não foram unânimes pela manutenção da taxa básica de juros dos Estados Unidos, diante dos riscos inflacionários destravados pela guerra no Oriente Médio.
Sob o novo comando de Kevin Warsh, que passou a presidir o FED graças à indicação pessoal de Donald Trump, o dilema está em equilibrar as investidas da Casa Branca por taxas de juros menores, enquanto as expectativas de inflação seguem pressionadas, especialmente pela intensa volatilidade do petróleo.
Entre os nove banqueiros votantes, três deles confirmaram a dissidência e queriam elevar os juros já nesta reunião, expressando preocupações com o ritmo de aumento dos preços generalizado nos EUA. 
Para se ter ideia da complexidade enfrentada pelo presidente do FED, já são públicas as declarações de membros dissidentes que flertam com o aumento dos juros americanos, possivelmente para o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano. 
Todos os votos contrários ao bloco do chairman Warsh vieram de presidentes regionais: Beth Hammack, de Cleveland, Neel Kashkari, de Minneapolis, e Lorie Logan, de Dallas, que foram os mais explícitos sobre a necessidade de taxas de juros mais altas para lidar com a inflação, que está acima da meta de 2% do Fed há mais de cinco anos.
Justamente pelo risco dos juros americanos subirem na próxima decisão do FED, no dia 16 de setembro de 2026, os três principais índices acionários em Wall Street operavam no negativo. Cerca de 72% dos contratos de opções na CME Group precificam que a taxa básica americana subirá 25 pontos-base até o próximo mês.