Dois ministros do STF se declaram suspeitos para julgar Moraes

Kassio Nunes e Dias Toffoli alegaram foro íntimo e não devem votar na análise do pedido de investigação contra Moraes.

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Publicado em 15/09/2026 às 12:46h Publicado em 15/09/2026 às 12:46h por Wesley Santana
Moraes e Mendonça sentam lado a lado durante sessão da Corte (Imagem: Reprodução/STF)
Moraes e Mendonça sentam lado a lado durante sessão da Corte (Imagem: Reprodução/STF)

Ao menos dois ministros devem deixar de votar na sessão que analisa um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes, nesta terça-feira (15). Kassio Nunes e Dias Toffoli se declararam suspeitos, alegando foro íntimo, logo depois que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Édson Fachin, abriu os trabalhos.

O primeiro a pedir a palavra foi Kassio, que teve suas conversas com Daniel Vorcaro reveladas nos últimos dias. Logo depois, Toffoli também usou do mesmo expediente, já que ele até chegou a ser relator do caso Banco Master, mas deixou o processo por causa de sua ligação com o empresário hoje preso.

"Embora não tendo formalmente sendo acatada nenhuma arguição de suspeição, muito ao revés, quando os julgamentos começaram a ocorrer na Segunda Turma já pela relatoria de André Mendonça eu me senti na obrigação de preservar a corte de manifestar a minha suspeição por motivo de foro íntimo, não impedimento", disse Tofoli.

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Diferente de Toffoli, que permanece na sessão, Kassio deixou o plenário, alegando equilíbrio nas eleições. Atualmente, ele exerce mandato como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Com as suspeições, o plenário da Corte conta com apenas sete possíveis votos contra ou a favor do início das investigações. Fachin declarou que os ministros não devem julgar pessoas, mas sim fatos. "A decisão pertence ao plenário, não a um ministro individualmente", declarou.

Mais cedo, Moraes já havia enviado ao presidente do STF sua carta de defesa. No documento, ele afirma que as mensagens apresentadas nunca existiram e que seriam diálogos fantasiosos.

"Quanto aos diálogos, afirmou serem mensagens minhas que nunca existiram. Diálogos fantasiosos", diz a defesa escrita por Moraes. "O ministro Alexandre de Moraes ainda aponta que não há no documento prova da infração penal, não há contato com autoridade, nem com o procurador-geral da República, nem com o diretor da Polícia Federal", acrescentou Fachin, que leu a carta na abertura da sessão.

A sessão no STF começou por volta das 10h (horário de Brasília), como estava prevista. No entanto, não há informações sobre o horário da decisão, nem se realmente vá terminar ainda hoje.

Isso porque algum dos ministros pode pedir vista. Isto é, mais um tempo para avaliar o processo, o que poderia arrastar o julgamento por mais 90 dias, conforme regime da Corte.