Empresa da Bolsa desbanca Prio (PRIO3) e Petrobras (PETR4) e vira favorita do BTG

Uma pesquisa do banco, após reuniões com 36 investidores no Rio de Janeiro para debater o cenário do setor, confirmou o favoritismo.

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Publicado em 22/06/2026 às 22:00h Publicado em 22/06/2026 às 22:00h por Matheus Silva
Segundo o BTG, a empresa atraiu um nível de atenção desproporcional ao seu valor de mercado (Imagem: Shutterstock)
Segundo o BTG, a empresa atraiu um nível de atenção desproporcional ao seu valor de mercado (Imagem: Shutterstock)
🛢️ O interesse dos investidores pelo setor de petróleo e gás está se redesenhando. Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), historicamente os nomes mais procurados pelo mercado, cederam espaço para uma companhia até então pouco lembrada nas conversas com grandes fundos, a OceanPact (OPCT3).
A constatação vem de um levantamento do BTG Pactual, feito após uma série de encontros com 36 investidores no Rio de Janeiro para discutir o panorama do setor. 
Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (22), o clima geral entre os participantes foi de cautela, influenciado pelas tratativas em curso para um possível cessar-fogo entre EUA e Irã. 
Esse cenário pressionou as expectativas para os preços do petróleo e esfriou o ânimo dos investidores em relação a empresas com exposição direta à commodity.
Segundo a leitura do banco, tanto a Petrobras quanto a Prio, e até as distribuidoras de combustíveis, perderam terreno nas preferências do mercado, enquanto a OceanPact ganhou notoriedade inesperada, considerando seu porte reduzido em valor de mercado.

Petrobras segue com sentimento negativo entre investidores

De acordo com o BTG Pactual, a percepção sobre a Petrobras continua oscilando entre negativa e neutra. A maior parte dos investidores ouvidos ainda carrega posições na estatal, dado seu peso relevante de cerca de 12% no Ibovespa, mas a maioria mantém alocação abaixo da média de mercado, e alguns fundos chegam a apostar na queda do papel.
O banco atribui essa postura principalmente ao noticiário recente sobre as negociações de paz no Oriente Médio, e não a questões particulares da companhia. 
A leitura predominante é que, se o conflito for de fato resolvido, a oferta global de petróleo deve voltar a superar a demanda no segundo semestre de 2026, pressionando ainda mais os preços do Brent.
Diante disso, três fatores explicam a cautela redobrada com a Petrobras, como a redução na geração de caixa livre em um cenário de Brent abaixo de US$ 75 por barril, dúvidas persistentes sobre as escolhas de alocação de capital da estatal e a falta de catalisadores positivos vindos da esfera política e eleitoral.
Em contrapartida, o BTG nota que a necessidade adicional de capital de giro ligada ao programa de subsídio aos combustíveis não figura entre as principais inquietações dos investidores, já que se espera que o governo mantenha os repasses nos próximos meses. 
O relatório também menciona crescente curiosidade em torno da relação entre PETR4 e PETR3, motivada pela possibilidade de o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) finalizar a venda de sua participação na companhia, o que removeria um fator técnico que vinha penalizando as ações.

Prio deixa de ser unanimidade

A Prio também perdeu o status de escolha praticamente unânime no levantamento do BTG. Ainda que a maior parte dos investidores continue com avaliação favorável sobre a empresa e sua gestão, e veja com otimismo uma possível política de dividendos no curto prazo, uma parcela relevante passou a se preocupar com a oscilação operacional mais recente da companhia.
O banco entende que essa maior volatilidade não indica uma mudança de fundo no negócio, mas reflete características típicas da operação offshore e da concentração de ativos no portfólio da empresa.
Mesmo assim, parte dos investidores que já detinham posição optou por reduzi-la, e muitos preferem esperar um momento mais propício antes de voltar a comprar.
No grupo das demais petroleiras independentes, a Brava Energia (BRAV3) continua no radar por conta das expectativas de que a colombiana Ecopetrol assuma seu controle, ainda que a falta de clareza sobre os planos futuros para os ativos impeça uma avaliação mais definitiva. 
A PetroReconcavo (RECV3), por sua vez, despertou pouco interesse, sem gatilhos visíveis de crescimento no horizonte.

OceanPact rouba a cena com interesse acima do esperado

Enquanto Petrobras e Prio perderam relevância nas conversas, a OceanPact foi o destaque inesperado da rodada de reuniões. Segundo o BTG, a empresa atraiu um nível de atenção desproporcional ao seu valor de mercado, chegando a dominar boa parte da pauta em pelo menos um dos encontros.
A companhia passou a ser enxergada como alternativa para se expor ao ciclo de serviços marítimos offshore sem entrar diretamente nos riscos da exploração e produção de petróleo. 
O principal entrave citado pelos investidores é a baixa liquidez do papel, fator que, isoladamente, impede certos fundos de grande porte de investir na empresa.
Ainda assim, quem já acompanha a OceanPact considera aumentar a posição, enquanto investidores que já haviam se desfeito dos papéis se dividem entre dois pontos de vista. Alguns acreditam que a valorização recente das diárias já está precificada na ação, outros mostram receio com a diluição do acionista controlador após a fusão com a CBO Holding.

Vibra continua na preferência entre distribuidoras

O segmento de distribuição de combustíveis manteve interesse limitado, mesmo com margens mais robustas no segundo trimestre de 2026. Dentro desse grupo, a Vibra (VBBR3) permanece como a preferida dos investidores. 
Segundo o BTG, o mercado ainda não precifica corretamente o potencial de suas margens estruturais, favorecidas pelo modelo de negócio voltado exclusivamente à distribuição.
Já a Ultrapar (UGPA3) gera opiniões mais divididas. As críticas mais recorrentes seguem ligadas às decisões de alocação de capital em um contexto de juros elevados, embora uma parte dos investidores continue confiante na qualidade da administração. 
📊 O banco observa que alguns gestores começaram a retomar posições nas distribuidoras após a queda recente das ações, mas a convicção geral ainda é baixa, à espera de mais clareza sobre a sustentabilidade das margens do setor.