Da Irlanda à Finlândia: Protestos contra data centers de IA tomam as ruas da Europa

Milhares de pessoas protestaram na Europa contra a expansão de data centers de IA, em atos que reuniram cerca de 2 mil em Dublin.

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Publicado em 08/11/2026 às 10:52h Publicado em 08/11/2026 às 10:52h por Matheus Silva
Data centers responderam por 23% do consumo de eletricidade da Irlanda em 2025 (Imagem: Shutterstock)
Data centers responderam por 23% do consumo de eletricidade da Irlanda em 2025 (Imagem: Shutterstock)

🌍 A reação contra a expansão da inteligência artificial chegou com força às ruas da Europa. 

Neste sábado (7), cidadãos de vários países foram às ruas para protestar contra a construção de data centers, instalações que abrigam os servidores usados para treinar e operar sistemas de IA, e para manifestar preocupação com os impactos desses empreendimentos sobre a sociedade e o meio ambiente.

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Em Dublin, na Irlanda, cerca de 2 mil pessoas marcharam, segundo a emissora RTE. Em Helsinque, na Finlândia, a manifestação reuniu aproximadamente 1,2 mil participantes, de acordo com a TV YLE, que também registrou atos em várias cidades menores do país.

Coalizão fala em democracia “refém” das big techs

Os protestos foram articulados por grupos de campanha de diferentes países, da Escócia à Espanha e da França à Dinamarca. 

Representantes da coalizão Stop Dirty Data Centres, formada por organizações locais em defesa da democracia e do clima, afirmaram que pretendem interromper a expansão desenfreada dos data centers de IA e impedir que a democracia seja feita refém dos interesses das grandes empresas de tecnologia.

A principal reivindicação é uma moratória que suspenda as construções até que os próprios cidadãos decidam, de forma democrática, o que é necessário para que a IA e os data centers atendam às pessoas e ao planeta, e não, nas palavras do grupo, à ganância privada.

Dia anterior teve confronto com a polícia

As manifestações deste sábado vieram na sequência de um ato na sexta-feira (6), em Amsterdã, na Holanda, quando centenas de pessoas entraram em confronto com a polícia em frente a um data center da Microsoft. Uma pessoa foi presa.

O peso desses empreendimentos é particularmente visível na Irlanda. O país atraiu investimentos de grande porte de gigantes americanas como Microsoft (MSFT34), Amazon (AMZO34) e Google, o que o transformou em um dos maiores polos de data centers da Europa. 

Segundo o órgão oficial de estatísticas, essas instalações responderam por 23% do consumo total de eletricidade medido no país em 2025.

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Na Finlândia, marcha passou por escritórios do Google

Em Helsinque, os manifestantes caminharam até os escritórios do Google (GOGL4) e o Parlamento. 

O local não foi escolhido por acaso. Em setembro, a empresa anunciou o maior investimento de sua história na Europa, € 13 bilhões (US$ 14,5 bilhões) na Finlândia, para ampliar um data center existente e construir outros dois. 

Segundo a Confederação das Indústrias Finlandesas, projetos de fazendas de servidores avaliados em cerca de € 80 bilhões estão em diferentes etapas de planejamento e construção no país.

A resistência da população cresceu depois da revelação de que representantes do Google haviam removido árvores de uma área florestal, retirado a camada superficial do solo e construído estradas em um dos locais antes da conclusão de uma avaliação de impacto ambiental. 

A empresa responsável pela obra é alvo de uma investigação criminal, e o governo finlandês elabora uma legislação para conter a expansão da IA.

Reação europeia ecoa onda de protestos nos EUA

O movimento europeu acompanha uma tendência já observada do outro lado do Atlântico. Nos Estados Unidos, a proliferação de data centers se tornou um dos principais temas das eleições de meio de mandato realizadas nesta semana. 

Eleitores de vários estados escolheram autoridades locais que prometeram interromper ou suspender as construções.

A expansão desse tipo de infraestrutura se acelerou em todo o mundo à medida que as empresas de tecnologia investem centenas de bilhões de dólares para treinar e operar sistemas de inteligência artificial. 

📊 O ritmo preocupa comunidades que temem a demanda por terrenos e eletricidade, o aumento dos custos de energia e a possibilidade de não receberem benefícios econômicos.