CRAs e CRIs pagam até IPCA+ 14% ao ano em estresse da renda fixa em 2026

Disparada dos juros compostos no Tesouro Direto também engorda retorno equivalente do crédito privado.

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Publicado em 03/07/2026 às 15:18h Publicado em 03/07/2026 às 15:18h por Lucas Simões
Estardalhaço de recuperações judiciais também infla taxas de dívida corporativa (Imagem: Google Gemini gerado por IA))
Estardalhaço de recuperações judiciais também infla taxas de dívida corporativa (Imagem: Google Gemini gerado por IA))
Pouco a pouco, o investidor de renda fixa começa a se habituar com o Tesouro Direto, oferecendo taxas recordes acima de IPCA+ 8% ao ano em 2026. Só que essa pressão também atinge títulos bem mais arriscados, como CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).
A ferramenta do Investidor10 que monitora o quanto os investimentos de renda fixa estão pagando nas prateleiras das corretoras de valores aponta que há títulos de crédito privado que já pagam em torno de IPCA+ 12% ao ano com vencimento no longo prazo. 
Por conta das emissões de CRAs e CRIs serem isentas da cobrança de imposto de renda (IR), o retorno equivalente (gross-up) que uma taxa IPCA+ 12% ao ano gera é, na verdade, correspondente a se um Tesouro IPCA+ remunerasse IPCA+ 14% ao ano. 
Se não bastasse o estresse que os títulos públicos enfrentam diante do risco crescente de descontrole das contas brasileiras, as emissões de dívidas das empresas ainda lidam com uma enxurrada de pedidos de recuperação extrajudicial, sendo o caso mais emblemático o da Raízen (RAIZ4), que renegocia um saldo devedor de R$ 65 bilhões. 
O investidor passa a exigir juros compostos maiores para continuar emprestando dinheiro às empresas ligadas ao agronegócio e ao setor imobiliário, daí se compreende a abertura histórica dos spreads em CRAs e CRIs em cima dos rendimentos do Tesouro Direto. 
Apesar dos patamares atrativos de retorno, diversos especialistas não recomendam encher a carteira com títulos de crédito privado, pois o risco de calote é considerável e sequer há a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito)

Taxas elevadas de CRAs e CRIs indexados à inflação

  • Investimento mínimo: R$ 804,86
  • Risco Financeiro:Alto
  • Quanto rendem R$ 50 mil após 160 meses: R$ 459.195,69
  • Quanto a mesma quantia em CDB a 100% do CDI: R$ 291.363,67
  • Prazo de vencimento: dia 15 de novembro de 2039
  • Liquidez: Somente no vencimento
  • Onde encontrar: Banco Inter (INBR32)
  • Tem proteção do FGC: Não
  • Observação: Este ativo de renda fixa pode não estar disponível para novos investimentos. Para confirmar, contate o banco emissor
  • Investimento mínimo: R$ 1.051,84
  • Risco Financeiro: Médio
  • Quanto rendem R$ 50 mil após 50 meses: R$ 99.644,91
  • Quanto a mesma quantia em CDB a 100% do CDI: R$ 84.698,20
  • Prazo de vencimento: dia 16 de setembro de 2030
  • Liquidez: Somente no vencimento
  • Onde encontrar: Banco Inter (INBR32)
  • Tem proteção do FGC: Não
  • Observação: Este ativo de renda fixa pode não estar disponível para novos investimentos. Para confirmar, contate o banco emissor
CRA JBS IPCA+ 8,96% ao ano
  • Investimento mínimo: R$ 986,29
  • Risco Financeiro:Médio
  • Quanto rendem R$ 50 mil após 98 meses: R$ 153.298,34
  • Quanto a mesma quantia em CDB a 100% do CDI: R$ 143.809,71
  • Prazo de vencimento: dia 15 de setembro de 2034
  • Liquidez: Somente no vencimento
  • Onde encontrar: Banco Inter (INBR32)
  • Tem proteção do FGC: Não
  • Observação: Este ativo de renda fixa pode não estar disponível para novos investimentos. Para confirmar, contate o banco emissor