Crise no varejo: Gigante do fast food corre para evitar recuperação judicial

Grupo Gennius, dono do Habib’s e Ragazzo, conseguiu proteção contra dívida de R$ 312 milhões.

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Publicado em 15/08/2026 às 09:27h Publicado em 15/08/2026 às 09:27h por Wesley Santana

A lista de grandes empresas em recuperação judicial pode aumentar a qualquer momento. O Grupo Gennius, controlador de marcas como Habib’s e Ragazzo, está correndo contra o tempo para juntar seus credores e negociar as dívidas sem uma decisão mais drástica.

Nesta semana, o dono do restaurante árabe recebeu uma proteção contra uma dívida de R$ 312 milhões. Ao longo de 60 dias, a companhia deixa de ter a obrigação de arcar com os vencimentos, conforme decisão da Justiça de SP.

A companhia também teve liberado uma parte de seus recursos que já estavam bloqueados. No total, R$ 3,3 milhões, que estavam com o Banco Daycoval, voltaram ao caixa da rede de fast food.

“A decisão de segunda instância estendeu os efeitos da tutela cautelar antecedente aos créditos não sujeitos à recuperação judicial, vedando expressamente a prática de atos constritivos, retenções de recebíveis, amortizações aceleradas ou aplicação de cláusulas de vencimento antecipado sobre o caixa das requerentes”, diz a decisão.

De acordo com o Neofeed, as dívidas já afetam unidades da rede, que não conseguem pagar o aluguel de onde estão. Em São Bernardo do Campo, por exemplo, a rede teria recebido pedido de despejo no começo deste mês.

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O Habib’s é a principal marca do grupo Gennius, com unidades espalhadas por vários estados do país. A rede de fast food fez sucesso nas últimas décadas por oferecer preços atrativos em comparação com concorrentes como o McDonald’s.

A companhia tem tentado se reinventar lançando novos produtos e ampliando o menu. Há alguns anos, decidiu oferecer rodízio de esfihas, por exemplo, em alternativa à compra do item individualmente.

Outra marca do portfólio é o Ragazzo, especializado em comida italiana. Neste caso, algumas unidades das duas redes estão integradas, oferecendo aos consumidores as duas opções em um mesmo lugar.

Caso o processo não avance de forma extrajudicial, a empresa pode recorrer à recuperação judicial. Neste caso, se juntaria a um grupo cada vez maior de grandes empresas que estão nesta situação.

Só entre as companhias listadas na bolsa de valores, o número de RJs já passa de 20. Nomes como Americanas, Bombril, Coteminas e Toky são algumas delas.

No caso do Gennius, a empresa diz que a situação financeira se deu por causa da pandemia, que mudou o comportamento de consumo da população. “[A crise] "provocou o esvaziamento dos grandes centros urbanos em que se concentrava parcela relevante das operações", diz.

Outro fator que teria contribuído para a crise seria a expansão das plataformas de delivery. Por meio delas, a população teria passado a preferir as entregas em detrimento das lojas físicas, dada a comodidade.

Por fim, também destaca a movimentação da taxa de juros, que saiu de 4% para 15% no intervalo de alguns meses. A elevação teria elevado o custo de captação e de rolagem das dívidas.