Os trabalhadores dos Correios prometiam cruzar os braços na última terça-feira (7), em protesto contra medidas do plano de reestruturação da empresa, como o fechamento de agências, a redução de cargos e a retirada de gratificações.
Para evitar a paralisação, a estatal concordou em suspender parte dessas ações até o dia 31 de julho, para tentar negociar o assunto com os trabalhadores. A negociação já teve início nesta quinta-feira (9) e contará com a mediação do governo federal.
A decisão foi classificada como "uma importante vitória dos trabalhadores" pelo secretário-geral da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores de Empresas em Correios, Telégrafos e Similares), Emerson Marinho.
Ele disse ainda que a categoria não vai aceitar a retirada de direitos. Por isso, mantém o estado de greve, o que permite retomar os preparativos para uma paralisação caso a negociação com a empresa não avance.
O que foi suspenso?
Em nota, os Correios ressaltaram que apenas três medidas do plano de reestruturação foram suspensas:
- otimização da rede de atendimento e das unidades operacionais;
- implantação do Sistema de Dimensionamento da Distribuição, que promete mudar a forma de distribuição da carga de trabalho dos carteiros;
- redução de posições de caixa, o que envolveria o fim do pagamento de benefícios salariais.
Dessa forma, ações como a venda de imóveis e a construção de parcerias com o setor privado poderão continuar em andamento.
"A empresa permanece comprometida com a modernização de sua estrutura, o fortalecimento da sustentabilidade econômico-financeira, a valorização de seus empregados e empregadas e a melhoria contínua dos serviços prestados à população", afirmaram os Correios.
Os argumentos dos Correios
De acordo com os Correios, a instalação de uma mesa de negociação com os trabalhadores busca fortalecer a construção conjunta de soluções voltadas ao aperfeiçoamento do plano de reestruturação.
Para isso, as entidades sindicais poderão apresentar questionamentos, casos específicos e eventuais situações que demandam avaliação. Já os Correios prometem analisar tecnicamente todas essas contribuições, com foco no cumprimento do plano de reestruturação.
"A iniciativa reafirma o compromisso dos Correios com o diálogo permanente, a transparência e a busca por soluções construídas de forma responsável e colaborativa", disse a empresa.
Novo empréstimo
A decisão ocorre em meio a rumores de que os Correios iniciaram tratativas para contratar um novo empréstimo bancário com garantia da União.
A empresa pretendia financiar R$ 20 bilhões no final do ano passado, mas acabou tomando R$ 12 bilhões emprestados, porque os juros cobrados pelos bancos superaram o teto autorizado pelo Tesouro Nacional.
O recurso ajudou a reforçar o capital de giro e financiar investimentos estratégicos. Porém, a empresa ainda vê a necessidade de novos aportes para poder concluir o plano de sair do vermelho.