Correios suspendem medidas de reestruturação para evitar greve

Trabalhadores ameaçavam paralisação contra fechamento de agências e fim de benefícios.

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Publicado em 09/07/2026 às 17:06h Publicado em 09/07/2026 às 17:06h por Marina Barbosa
Correios ressaltaram que suspensão é parcial e temporária (Imagem: Shutterstock)
Correios ressaltaram que suspensão é parcial e temporária (Imagem: Shutterstock)
O plano de reestruturação dos Correios foi parcialmente suspenso neste mês de julho, em uma tentativa da estatal de evitar uma greve de funcionários.
Os trabalhadores dos Correios prometiam cruzar os braços na última terça-feira (7), em protesto contra medidas do plano de reestruturação da empresa, como o fechamento de agências, a redução de cargos e a retirada de gratificações.
Para evitar a paralisação, a estatal concordou em suspender parte dessas ações até o dia 31 de julho, para tentar negociar o assunto com os trabalhadores. A negociação já teve início nesta quinta-feira (9) e contará com a mediação do governo federal.
A decisão foi classificada como "uma importante vitória dos trabalhadores" pelo secretário-geral da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores de Empresas em Correios, Telégrafos e Similares), Emerson Marinho.
Ele disse ainda que a categoria não vai aceitar a retirada de direitos. Por isso, mantém o estado de greve, o que permite retomar os preparativos para uma paralisação caso a negociação com a empresa não avance.

O que foi suspenso?

Em nota, os Correios ressaltaram que apenas três medidas do plano de reestruturação foram suspensas:
  • otimização da rede de atendimento e das unidades operacionais; 
  • implantação do Sistema de Dimensionamento da Distribuição, que promete mudar a forma de distribuição da carga de trabalho dos carteiros;
  • redução de posições de caixa, o que envolveria o fim do pagamento de benefícios salariais.
Dessa forma, ações como a venda de imóveis e a construção de parcerias com o setor privado poderão continuar em andamento.
"A empresa permanece comprometida com a modernização de sua estrutura, o fortalecimento da sustentabilidade econômico-financeira, a valorização de seus empregados e empregadas e a melhoria contínua dos serviços prestados à população", afirmaram os Correios.

Os argumentos dos Correios

De acordo com os Correios, a instalação de uma mesa de negociação com os trabalhadores busca fortalecer a construção conjunta de soluções voltadas ao aperfeiçoamento do plano de reestruturação.
Para isso, as entidades sindicais poderão apresentar questionamentos, casos específicos e eventuais situações que demandam avaliação. Já os Correios prometem analisar tecnicamente todas essas contribuições, com foco no cumprimento do plano de reestruturação.
"A iniciativa reafirma o compromisso dos Correios com o diálogo permanente, a transparência e a busca por soluções construídas de forma responsável e colaborativa", disse a empresa.

Novo empréstimo

A decisão ocorre em meio a rumores de que os Correios iniciaram tratativas para contratar um novo empréstimo bancário com garantia da União.
A empresa pretendia financiar R$ 20 bilhões no final do ano passado, mas acabou tomando R$ 12 bilhões emprestados, porque os juros cobrados pelos bancos superaram o teto autorizado pelo Tesouro Nacional.
O recurso ajudou a reforçar o capital de giro e financiar investimentos estratégicos. Porém, a empresa ainda vê a necessidade de novos aportes para poder concluir o plano de sair do vermelho.
Outra medida que pode ajudar nesse sentido é o contrato bilionário firmado nesta semana com o Banco do Brasil (BBAS3), que envolve a entrega de correspondências do banco por um prazo de cinco anos.