Copom deixa rumo da Selic em aberto e mercado discute pausa nos cortes de juros

Para o mercado, a Selic pode ficar em 14% na próxima reunião do Copom, em setembro.

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Publicado em 06/08/2026 às 09:49h Publicado em 06/08/2026 às 09:49h por Marina Barbosa
Copom reduziu a Selic para 14% ao ano nessa 4ª feira, mas não se comprometeu com novos cortes (Imagem: Shutterstock)
Copom reduziu a Selic para 14% ao ano nessa 4ª feira, mas não se comprometeu com novos cortes (Imagem: Shutterstock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano nessa quarta-feira (5). Porém, não se comprometeu com novos ajustes, alimentando a percepção do mercado de que o ciclo de cortes de juros pode entrar em um momento de pausa.

O comunicado do Copom

🏦 O novo corte da Selic foi aprovado por todos os membros do Copom, já que a inflação e o câmbio deram sinais de melhora e a atividade econômica perdeu fôlego nas últimas semanas. No entanto, foi acompanhado por um comunicado neutro, que não traz muitas pistas sobre os próximos passos da política monetária.
No comunicado, o Copom argumentou que a inflação desacelerou, mas segue acima da meta e lembrou que as expectativas de inflação dos próximos anos foram na direção contrária. Além disso, observou que a atividade econômica ainda mostra resiliência, apesar da recente moderação. E destacou que o cenário externo exige cautela por parte de países emergentes, devido à volatilidade do mercado.
A avaliação é de que o cenário continua "caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base" e, por isso, "demanda serenidade e cautela na condução da política monetária".
Diante disso, o Copom pretende seguir "acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta" e reafirmou que a magnitude total do ciclo de corte de juros "será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta".

A avaliação do mercado

🔎 O comunicado do Copom foi classificado como neutro pelo mercado, na medida em que mantém a cautela e deixa o futuro da Selic em aberto.
"O Copom prefere não se comprometer com um roteiro e avaliar, reunião a reunião, para onde o cenário vai pender", afirmou a Rico, dizendo que o "equilíbrio entre notícias boas e riscos ainda presentes explica o tom neutro".
Para a XP, "isso mostra não apenas que os indicadores recentes foram melhores, mas também nos lembra que os indicadores de alta frequência são voláteis —portanto, devemos relativizar as 'verdades' de curto prazo".
"Acreditamos que, com essas palavras, o Copom efetivamente adotará uma abordagem dependente de dados", avaliou a XP.
Head de renda fixa da Faz Capital, Eduardo Marocke reforçou que o Copom deixou as "portas bem abertas e dependente de dados" para poder avaliar o comportamento da inflação e da atividade econômica nas próximas semanas e, com base nisso, decidir os próximos movimentos da Selic.

O que esperar agora?

📅 O Copom ainda tem três reuniões marcadas para 2026, em setembro, novembro e dezembro.
De acordo com o Boletim Focus, o consenso do mercado é de que o comitê ainda fará um novo corte de juros neste ano, levando a Selic para 13,75%. Porém, os analistas se dividem sobre o momento desse corte.
Diante dos riscos à inflação, boa parte dos analistas acredita que o Copom vai preferir dar uma pausa e manter a Selic em 14,00% na sua próxima reunião, deixando os próximos ajustes para depois.
A XP, por exemplo, acredita que a pausa se justifica pelo fato de que as expectativas de inflação seguem acima da meta e pelos riscos ainda existentes de alta dos preços, que incluem a volatilidade dos preços do petróleo, a alta dos insumos de inteligência artificial e o El Niño, além dos programas fiscais que buscam expandir a demanda doméstica antes das eleições presidenciais.
"Essa abordagem conservadora contribuiria para evitar uma deterioração adicional das expectativas de inflação e garantir um ambiente mais claro para um ciclo de afrouxamento mais assertivo e sustentável no próximo ano", avaliou a XP.
A Rico também trabalha com uma pausa no ciclo de cortes de juros após a reunião desta semana. "A ideia é dar tempo ao Banco Central de avaliar os efeitos dos estímulos e da economia aquecida antes de seguir adiante, evitando que as expectativas de inflação se distanciem ainda mais da meta", afirmou.
As casas, no entanto, admitem a possibilidade de que o Copom dar continuidade ao processo de redução dos juros, caso a inflação e a atividade doméstica continuem cedendo. "Caso esse cenário se confirme nos dados que virão, uma pausa deixaria de fazer sentido, e o Copom deveria optar por continuar reduzindo gradualmente a taxa Selic nos próximos meses", disse a XP.
 
Diante dessa possibilidade, também há quem já veja espaço para a Selic continuar caindo em setembro. É o caso do economista e CEO da Veedha Investimentos, Rodrigo Marcatti, que ainda vê a "possibilidade de continuidade do ciclo, se mantido o cenário atual de desaceleração econômica e acomodação da inflação".