🏦 Só nesta semana, dois bancões cortaram as projeções de lucro e o preço-alvo para as ações do BB. E uma corretora ainda alertou para os riscos existentes na rota de recuperação traçada pela instituição.
Ainda assim, as ações do BB subiram mais de 3% na semana. Com isso, o papel já acumula uma alta de 12,6% em setembro.
O que explica a alta das ações?
A avaliação dos investidores é de que uma eventual troca de governo levaria a uma gestão mais alinhada ao mercado para o banco. Por isso, o BB virou praticamente um sinônimo de trade eleitoral na B3.
Recentemente, a coordenadora do programa econômico do candidato do PL,
Daniella Marques, levantou até a possibilidade de privatização do BB.
Segundo ela, o Banco do Brasil poderia ser privatizado porque negocia a menos de uma vez o seu patrimônio. Porém, qualquer medida nesse sentido só seria tomada depois de uma avaliação completa da situação das estatais.
E a postura dos analistas?
Os analistas, no entanto, veem o movimento com cautela e aguardam sinais mais consistentes de recuperação para abaixarem a guarda em relação ao BB.
O JP Morgan, por exemplo, cortou as projeções de lucro do BB, citando o aumento da inadimplência e a expectativa de maiores provisões, nesta semana.
O banco ainda reduziu o preço-alvo para a ação, de R$ 25 para R$ 22 em dezembro de 2027, mantendo uma recomendação neutra. O Safra foi na mesma linha, mas com o preço-alvo caindo de R$ 27 para R$ 26.
Em relatório, o Safra explicou que o BB ainda não conseguiu deixar para trás a crise do agronegócio e agora também é pressionado pelo aumento da inadimplência das pessoas físicas.
Diante disso, a avaliação é de que ainda há pouca visibilidade sobre uma melhora estrutural da qualidade dos ativos do banco, o que justifica uma postura neutra.
Genial vê administração cautelosa
De acordo com a Genial Investimentos, a cautela permeia até o discurso do alto escalão do BB.
Após uma reunião com o time de Relações com Investidores do Banco do Brasil, a Genial disse que "a administração ficou mais cautelosa com o ritmo da recuperação".
Isso porque a deterioração no crédito rural tem se mostrado mais persistente do que o esperado e os efeitos da medida provisória que permitiu a renegociação de dívidas rurais só devem ganhar força no quarto trimestre.
"O 3T26 ainda deverá refletir contribuição limitada da MP 1.376, enquanto os trimestres seguintes poderão oferecer melhor visibilidade sobre o volume efetivamente contratado, a qualidade das operações e o comportamento dos clientes", alertou a Genial, lembrando que "não basta renegociar: o produtor precisa voltar a pagar".
Diante disso, os analistas saíram do encontro "mais confortáveis com os mecanismos que podem apoiar a recuperação, mas não com o seu ritmo" e levantaram dúvidas sobre a capacidade do BB de entregar o guidance de 2026.
"Os próximos dois trimestres serão decisivos para confirmar uma recuperação efetiva ou indicar mais um adiamento da normalização de rentabilidade", concluiu a Genial.