Compass (PASS3) promete quebrar o jejum de IPOs da B3: Vale a pena investir?

A empresa de gás e energia da Cosan precifica as suas ações nesta quinta-feira (7).

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Publicado em 07/05/2026 às 13:20h Publicado em 07/05/2026 às 13:20h por Marina Barbosa
A Compass é dona da maior distribuidora de gás natural encanado do Brasil, a Comgás (Imagem: Shutterstock)
A Compass é dona da maior distribuidora de gás natural encanado do Brasil, a Comgás (Imagem: Shutterstock)
A Compass Gás e Energia está prestes a quebrar o jejum de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) da B3, que já dura mais de cinco anos.
💲 A empresa de gás e energia do grupo Cosan (CSAN3) vai precificar as suas ações nesta quinta-feira (7), após o fechamento do pregão. Porém, no mercado, o rumor é de que a companhia já encontrou demanda suficiente para seguir com o plano.
A ideia da Compass é vender pelo menos 89,3 milhões de ações, a um preço indicativo de R$ 28 a R$ 35 por ação. E colocar esses papeis para negociação na B3 já a partir da próxima segunda-feira (11), sob o ticker PASS3.
A oferta base deve movimentar de R$ 2,5 bilhões a R$ 3,1 bilhões, portanto. Mas essa cifra ainda pode crescer, por meio da oferta de lotes suplementares de ações, caso haja demanda para isso.

A Compass

A maior parte dos interessados nos papeis são investidores institucionais estrangeiros, segundo o "Valor Econômico". Mas muitos brasileiros também avaliam se vale a pena apostar neste IPO.
👑 A Compass é vista como a "joia da coroa" da Cosan -a holding de investimentos de Rubens Ometto, que também é acionista de empresas como Raízen (RAIZ4) e Rumo (RAIL3).
Afinal, é um dos principais players do setor de gás natural brasileiro -um setor marcado pela resiliência e pela previsibilidade na geração de caixa. 
A Compass é dona da maior distribuidora de gás natural encanado do Brasil e da marca responsável pelas atividades do Terminal de Regaseificação de São Paulo -Comgás (CGAS5) e Edge, respectivamente. 
Além disso, é sócia da Commit, holding com participação em distribuidoras de gás canalizado de diferentes estados brasileiros. Por isso, diz que consegue entregar resultados sólidos em diferentes ciclos políticos.
A Compass entregou um lucro líquido de R$ 1,46 bilhão em 2025, com um Ebitda de R$ 4,9 bilhões e uma alavancagem de 2,1x. O lucro, no entanto, já foi maior. Em 2024, por exemplo, passou de R$ 2,1 bilhões.
Ainda assim, a companhia distribuiu R$ 2 bilhões para os seus acionistas no ano passado. O valor considera o pagamento de R$ 500 milhões em dividendos e uma redução de capital de R$ 1,5 bilhão, com reembolso aos acionistas. Por isso, representa um payout de 137%.
"É uma operação relevante, com um ativo de qualidade e um controlador conhecido, em um setor defensivo", comentou o especialista em renda variável da Davos Investimentos, Marcelo Boragini.

O ponto de atenção

O especialista em renda variável da Davos Investimentos acredita que a qualidade do ativo explica o elevado interesse do mercado no IPO da Compass. Porém, lembra que também é preciso ficar atento a alguns detalhes nessa história.
⚠️ Esta será uma oferta secundária de ações, em que os atuais acionistas da Compass vão vender participações e ficar com o dinheiro arrecadado. Ou seja, não haverá a emissão de novas ações, nem dinheiro novo entrando no caixa da Compass.
Controladora da Compass, a Cosan deve ficar com a maior parte dos recursos e pretende usar essa verba para reduzir o seu endividamento. Além disso, pode ser pressionada a fazer novos aportes na Raízen.
"No IPO da Compass, o ponto positivo é o perfil mais defensivo do negócio e o ponto de atenção é que a operação nasce muito ligada à desalavancagem da Cosan e à venda da participação dos acionistas atuais", afirmou Marcelo Boragini.
Não à toa, a Fitch rebaixou a nota de crédito da Compass em meio aos preparativos do IPO, por causa da situação financeira complicada da Cosan e do receio de que a companhia de gás seja pressionada a continuar distribuindo dividendos elevados a sua controladora, o que ameaçaria seu fluxo de caixa.
Já a Moody's espera que a companhia mantenha uma distribuição prudente de recursos aos acionistas, de modo a não pressionar a sua qualidade de crédito e liquidez. Veja aqui a avaliação das agências de classificação de risco.

Ganha a ganha?

Por outro lado, o especialista em renda variável da Davos Investimentos acredita que a operação pode trazer ganhos para as duas empresas.
"Para a Cosan, é oxigênio puro. Vai permitir que a empresa reduza a dívida liquida e foque na capitalização de outras frentes, como a Raízen mesmo. Além disso, a listagem da Compass elimina o desconto de holding. Ou seja, permite que mercado precifique o ativo de gás e energia de forma isolada, geralmente com múltiplos mais atraentes devido à resiliência do setor", explicou Boragini.
Ainda assim, a recomendação é de que o investidor observe como vai ficar a governança da Compass após o IPO e avalie o preço por ação que será fixado pela empresa nesta quinta-feira (7) para decidir se vale a pena entrar no negócio. "Não basta ser uma empresa boa, precisa ser vendida a um preço adequado", observou.