Agro salvará o Banco do Brasil (BBAS3)? Agrishow em 2026 marca abismo

Propostas de linhas de financiamento a produtores rurais esbarram em desnível diante de Selic forte.

Author
Publicado em 04/05/2026 às 19:00h Publicado em 04/05/2026 às 19:00h por Lucas Simões
Juros altos corroem demanda do agronegócio no BBAS3 (Imagem: Divulgação/Banco do Brasil)
Juros altos corroem demanda do agronegócio no BBAS3 (Imagem: Divulgação/Banco do Brasil)
Nos últimos anos, era o agronegócio que não só salvava como turbinava os resultados do Banco do Brasil (BBAS3), mas agora são os produtores rurais com a corda no pescoço por conta da taxa Selic nas alturas que põem a tese em cheque. Tanto que na Agrishow 2026, as propostas de linhas de financiamento revelam desnível.
A estatal recebeu propostas para financiar até R$ 4,25 bilhões em atividades ligadas ao agronegócio, como resultado dos cinco dias da Agrishow, a principal feira em toda a América Latina que reúne produtores rurais e empresas do ramo, sediada em Ribeirão Preto, no interior paulista.
Todavia, o montante de R$ 4,25 bilhões em proposta de financiamentos ao Banco do Brasil é -10,5% inferior ao saldo apurado na edição anterior da Agrishow, ainda que tenha superado a projeção de R$ 3 bilhões da própria companhia.
“Mesmo em um ambiente mais desafiador, o produtor segue investindo e o BB cumpre seu papel de principal parceiro do agro, oferecendo crédito com responsabilidade e alinhado às necessidades de cada perfil de cliente”, afirmou o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, em nota.
Apesar de BBAS3 ainda liderar o Ranking de Ações Mais Queridas por usuários do Investidor10, os analistas profissionais seguem alertando em 2026 que o pior para a estatal ainda não passou, já que a própria gestão da CEO Tarciana Medeiros espera uma recuperação em formato "W".
Ou seja, a onda de calotes na carteira de crédito do agronegócio, que elevou o índice de inadimplência do Banco do Brasil da média histórica de 1% para cerca de 6,1%, ainda reserva uma nova piora antes da melhora consistente. 
Segundo dados do Investidor10, se você tivesse investido R$ 1 mil em Banco do Brasil (BBAS3) há 12 meses, hoje você teria R$ 780,42, já considerando o reinvestimento dos dividendos. A simulação também aponta que o Ibovespa teria retornado R$ 1.386,16 nas mesmas condições.