Como ficam os investimentos com a Selic em 14,50%?

Selic menor mantém renda fixa atrativa, com pós-fixados liderando no curto prazo e IPCA+ ganhando espaço no longo prazo.

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Publicado em 29/04/2026 às 16:13h Publicado em 29/04/2026 às 16:13h por Elanny Vlaxio
Os pós-fixados seguem como porto seguro no curto prazo, diz especialista  (Imagem: Shutterstock)
Os pós-fixados seguem como porto seguro no curto prazo, diz especialista (Imagem: Shutterstock)
Com a decisão do Copom de reduzir a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, o investidor passa a recalibrar estratégias em um cenário que ainda combina juros elevados no Brasil e incertezas no exterior. Mesmo com o corte, o país segue oferecendo retornos atrativos, especialmente quando comparado aos Estados Unidos, onde as taxas permanecem entre 3,5% e 3,75%.
Para Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, o diferencial de juros continua sendo um fator de sustentação para o Brasil, embora o cenário externo siga no radar. 
“Com a Selic em 14,50% após o corte esperado e os juros americanos entre 3,5% e 3,75%, o Brasil ainda oferece um dos maiores retornos reais do mundo para o capital estrangeiro”, afirma. Ainda assim, ele alerta que movimentos do Federal Reserve podem fortalecer o dólar e impactar o real independentemente da decisão doméstica.
No mercado de renda fixa, os sinais do Banco Central sobre os próximos passos ganham ainda mais peso. Segundo Luersen, mudanças nas expectativas podem mexer com a curva de juros e encarecer o crédito, enquanto fatores externos, como a alta nos rendimentos dos títulos americanos em meio às tensões no Estreito de Ormuz, também elevam o prêmio exigido para investir em emergentes. 
Nesse ambiente, os pós-fixados seguem como porto seguro no curto prazo. “Com a Selic em 14,50%, a remuneração real permanece robusta, com risco de marcação a mercado praticamente nulo e liquidez preservada”, destaca.
Já para prazos mais longos, a proteção contra a inflação ganha protagonismo. Robson Casagrande, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, vê nos títulos indexados ao IPCA uma alternativa estratégica diante das incertezas. “As NTN-Bs negociam próximas a IPCA +7 %, um prêmio historicamente relevante, e ainda carregam potencial de ganho de capital caso o ciclo de cortes se aprofunde e a curva feche”, explica.
Por outro lado, os prefixados exigem cautela em um ambiente ainda instável. “Não é o momento de alongar em prefixado sem convicção de que o BC entregará mais cortes do que o mercado precifica”, afirma Casagrande, ao destacar que inflação elevada, petróleo em alta e incerteza sobre o ritmo de afrouxamento aumentam o risco desses papéis no curto prazo.