Casas Bahia (BHIA3) briga para receber R$ 170 milhões do GPA e aciona a Justiça

A varejista quer excluir o valor do plano de recuperação do GPA, argumentando que o crédito arbitral não é um passivo financeiro típico.

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Publicado em 11/05/2026 às 17:38h Publicado em 11/05/2026 às 17:38h por Matheus Silva
O GPA apontou a Casas Bahia como credora inflexível (Imagem: Shutterstock)
O GPA apontou a Casas Bahia como credora inflexível (Imagem: Shutterstock)
🚨 A Casas Bahia (BHIA3) trava uma disputa jurídica com o GPA (PCAR3), dono da bandeira Pão de Açúcar, para receber R$ 170 milhões reconhecidos em processo arbitral e questiona se esse crédito deve ou não estar sujeito ao plano de recuperação extrajudicial da rede de supermercados. As informações são do Valor Econômico.
Em dezembro do ano passado, o GPA perdeu uma disputa arbitral relacionada a obrigações assumidas da antiga Globex, hoje Casas Bahia, com reconhecimento do dever de pagamento de aproximadamente R$ 170 milhões. 
A decisão, de caráter definitivo, transformou o passivo de longo prazo em dívida de curto prazo, pressionando o caixa da rede. 
No início deste ano, a Casas Bahia pediu o cumprimento da sentença. O GPA tinha até 11 de março para efetuar o pagamento, mas entrou com pedido de recuperação extrajudicial em dez de março, um dia antes do vencimento.

GPA chamou Casas Bahia de "inflexível"

No pedido de recuperação extrajudicial entregue à Justiça, o GPA apontou a Casas Bahia como credora inflexível e afirmou não ter condições de pagar o valor sem interromper suas operações. 
"Muito embora a companhia tenha tentado negociar tal pagamento, em especial à luz das dificuldades que vinha enfrentando, a Casas Bahia sempre se demonstrou inflexível, exigindo a quitação imediata. Em 27 de janeiro de 2026, a Casas Bahia ajuizou o cumprimento de sentença, buscando a satisfação desse crédito", diz a petição. 
O documento indica ainda que a ausência de acordo sobre antigas obrigações contratuais elevou a pressão sobre o caixa do GPA.
Segundo fontes ouvidas pelo Money Times, porém, as negociações correm desde 2019 e não se trata de algo que surgiu recentemente. Nesse contexto, a Casas Bahia estaria apenas buscando ressarcimento em um processo que se estende há anos. 
O Valor Econômico apurou que o controlador do GPA à época, o Casino, permitia a quitação mensal dessas obrigações enquanto a empresa fazia parte do grupo, até 2019.
A Casas Bahia entende que o montante de R$ 170 milhões deveria estar fora do escopo do plano de recuperação extrajudicial, sob o argumento de que não se trata de um passivo financeiro típico, mas de crédito decorrente de processo arbitral com sentença já proferida, segundo o Valor Econômico.
Para embasar sua estratégia, a Casas Bahia protocolou embargo de declaração contra uma decisão do fim de abril que negou o pedido de duas transportadoras para excluírem seus créditos de R$ 43 milhões da lista de credores do GPA. 
As transportadoras também alegaram que o plano seria apenas um "esboço" e que seus créditos não seriam equiparáveis a valores financeiros típicos. A Justiça, no entanto, negou o pedido sob o entendimento de que a sujeição ao plano independe da adesão dos credores.
A Casas Bahia busca agora esclarecimento sobre se a Justiça está se antecipando no processo. O GPA está protegido pelo "stay period", período de três meses em que a companhia fica suspensa de cobranças de dívidas enquanto negocia o plano com os credores.
📲 Procuradas, Casas Bahia e GPA não retornaram até o momento de publicação.