O governo brasileiro poderá recomprar até R$ 14,3 bilhões de sua própria emissão de dívida pública, conforme anúncio do Tesouro Nacional nesta segunda-feira (26), como forma de corrigir distorções no
mercado de renda fixa diante de intensa volatilidade nas taxas dos títulos públicos por conta da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas Eleições 2026.
Só as negociações de títulos públicos no
Tesouro Direto, ambiente direcionado aos investidores pessoas físicas, foram alvo de diversas suspensões temporárias ao longo do dia, mecanismo que tenta preservar as condições de mercado quando as taxas e preços da
renda fixa do governo oscilam drasticamente.
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Para se ter ideia, no auge da disparada dos juros compostos nesta segunda-feira, o
Tesouro IPCA+ 2065 viu a sua taxa disparar de
IPCA+ 6,35% ao ano, na última sexta-feira (23), para o patamar de
IPCA+ 7,43% ao ano, perto da abertura do mercado.
Entre os títulos de curto e médio prazos, a variação do
Tesouro IPCA+ 2032 foi de
IPCA+ 6,72% ao ano para
IPCA+ 8,10% ao ano, ao passo que o
Tesouro Prefixado 2029 oscilou de 12,76% ao ano para 15,40% ao ano. Vale recordar que, quando as taxas sobem no
Tesouro Direto, destrava-se prejuízo na marcação a mercado sobre o dinheiro emprestado ao governo.
Pelas regras do edital, o governo brasileiro aceita todas as propostas com taxas iguais ou superiores à taxa mínima que definir, aplicada a todas as ofertas vencedoras. Considerando o valor nominal atualizado dos títulos
Tesouro IPCA+, de R$ 4.770,21 cada, o teto da operação não ultrapassará R$ 15 bilhões.
Efetivamente, o custo tende a ser menor, já que o cupom de 6% ao ano desses papéis de
renda fixa está abaixo das taxas atuais dos títulos atrelados à inflação.