O banco prevê uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, diante da perspectiva de continuidade das políticas econômicas do governo e da frustração das expectativas do mercado por uma mudança de rumo.
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Na avaliação dos estrategistas do banco, os investidores haviam incorporado aos preços dos ativos a possibilidade de alterações relevantes na condução da economia, o que aumenta o risco de uma reação negativa diante da reeleição de Lula.
Queda de até 20%
No mercado de ações, o JPMorgan projeta uma deterioração expressiva das avaliações das empresas brasileiras.
O múltiplo preço/lucro projetado da Bolsa, que encerrou a sexta-feira em 9,7 vezes, poderia cair inicialmente para 8,3 vezes, uma redução de aproximadamente 14%. Em um cenário mais adverso, o indicador chegaria perto de 7 vezes, representando um desconto de cerca de 28%.
Nesse contexto, o Ibovespa poderia acumular uma queda próxima de 20% nos próximos dias. As empresas mais expostas à atividade econômica doméstica tendem a ser mais afetadas, enquanto as exportadoras podem apresentar desempenho relativamente melhor, favorecidas pela expectativa de desvalorização do real.
O banco também considera possível que a pressão sobre as ações provoque a ativação dos mecanismos de interrupção das negociações da B3, conhecidos como circuit breakers. Pelas regras da bolsa, uma queda de 10% suspende as operações por 30 minutos.
Dólar pode alcançar R$ 5,50
No mercado cambial, o JPMorgan avalia que o dólar pode subir para R$ 5,50, sendo uma desvalorização próxima de 10% do real.
Apesar da perspectiva de enfraquecimento da moeda brasileira, a instituição reduziu sua recomendação para o real para neutra, citando o elevado custo de manutenção de posições compradas em dólar. A trajetória do câmbio dependerá dos sinais enviados por Lula e sua equipe econômica.