O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas nesta segunda-feira (26) que a eleição brasileira, vencida por Lula no domingo (25),
parecia ter sido fraudada. Pouco depois, o vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin (PSB), classificou a afirmação como totalmente equivocada.
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“Não tomei partido, mas parecia mais uma eleição fraudulenta”, afirmou Trump, sem apresentar nenhuma evidência. “As eleições precisam ser incontestáveis, e isso me pareceu muito ruim.”
Trump estranhou prorrogação da votação
Apesar do tom duro sobre o processo, o presidente americano fez um aceno ao petista. “Gosto de Lula, me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, disse.
A referência foi à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de prorrogar a votação por duas horas.
Trump ainda não parabenizou Lula pela vitória, mas também não indicou que fará oposição ao resultado. “Não estou governando o Brasil. Estou governando os Estados Unidos”, declarou.
A fala ocorre depois de diversos alertas sobre uma possível interferência do governo americano no processo eleitoral brasileiro.
Em relatório divulgado em setembro, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) afirmou que a possibilidade de interferência havia chegado a níveis críticos e que Trump buscava reduzir a influência de potências rivais dos Estados Unidos na América Latina.
Segundo as informações divulgadas, o senador
Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no domingo, se recusa a reconhecer o resultado. Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi um aliado próximo de Trump enquanto esteve no cargo.
Alckmin responde que interferência externa é regra quebrada
Em entrevista à Rede Vanguarda, afiliada da TV Globo em São José dos Campos (SP), Alckmin rebateu o comentário com duas objeções. A primeira foi de princípio. “Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar”, disse.
A segunda foi sobre o conteúdo da acusação. “Não tem nenhum referencial para dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo para o mundo de urna eletrônica, de segurança jurídica. Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde a eleição, é o povo que decide”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin disse que o governo seguirá negociando com os Estados Unidos as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. “Encerrada a eleição, vamos continuar a negociação com os Estados Unidos para ter um bom acordo”, afirmou.
Ele citou a abertura de mercados como contrapeso ao tarifaço, com acordos do Mercosul com Singapura, com a Efta e com a União Europeia, além de um entendimento bem encaminhado com o Canadá. “Mesmo com tarifaço americano nós estamos batendo recorde de exportação”, completou.
Sem convite para a Fazenda, Alckmin diz que há tempo
Questionado se aceitaria comandar o Ministério da Fazenda no novo mandato, Alckmin disse que ainda não recebeu o convite.
“Esse convite não me foi feito e cada coisa tem o seu tempo”, declarou. Segundo ele, o novo governo começa na primeira semana de janeiro, e Lula tem tempo para montar a equipe. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027.
Neste mandato, Alckmin acumulou a Vice-Presidência com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do qual saiu em abril para concorrer à reeleição. A possibilidade de que assuma também a Fazenda foi noticiada logo depois do primeiro turno.