Enquanto a dívida pública federal do Brasil cresceu +2,61% em junho de 2026, totalizando R$ 9,268 trilhões, o Tesouro Nacional não escondeu do mercado nesta quarta-feira (29) suas ambições de aumentar o limite permitido de
Tesouro Selic que poderá financiar os cofres públicos neste ano, marcado por taxas recordes do
Tesouro IPCA+.
“A banda de flutuante (
Tesouro Selic) vai aumentar porque a gente tem feito volume bem expressivo de emissão de flutuante, próximo de 70% em vários meses, mas a gente precisa fazer a conta, modelar, colocar no sistema e ver qual resultado a gente tem. Não necessariamente há necessidade de revisão das demais bandas”, disse Helano Borges Dias, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, em coletiva à imprensa.
Durante agosto, o governo brasileiro terá a oportunidade de revisar o seu Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentando somente em setembro como devem ficar os novos limites que cada indexador de
renda fixa terá na composição da dívida pública.
Por ora, o famoso
Tesouro Selic já oscila entre 48% e 49% na representatividade da dívida pública brasileira, quase extrapolando o limite atual entre 46% e 50%. Trata-se do indicador de renda fixa favorito dos investidores em momentos de volatilidade dos mercados.
Em contrapartida, o Tesouro Nacional reconhece que está difícil pegar dinheiro emprestado dos investidores na modalidade atrelada à inflação, o
Tesouro IPCA+, diante dos juros reais recordes
acima de 8% ao ano, que encarecem tanto o custo de captação como levantam dúvidas do mercado sobre a sustentabilidade da situação fiscal do país.
Dias não descartou novas intervenções do governo brasileiro no mercado de renda fixa, como a recompra de
Tesouro IPCA+, como forma de aliviar os níveis elevados de juros reais. “Temos agido com muita cautela, de acordo com as condições, conjuntura que está posta para cada leilão”, afirmou o funcionário público.
O Tesouro Nacional realiza monitoramento diário das condições de mercado para garantir o bom funcionamento tanto dos leilões de dívida (ambiente dos investidores institucionais) quanto do
Tesouro Direto (acessível aos investidores pessoas físicas).