Assaí (ASAI3) entra no ramo de combustíveis para turbinar receitas

O atacadista comprou 18 postos associados a lojas de SP e já mira rede com 100 unidades.

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Publicado em 18/09/2026 às 13:34h Publicado em 18/09/2026 às 13:34h por Marina Barbosa
O Assaí trata o negócio como uma nova "avenida de crescimento" (Imagem: Shutterstock)
O Assaí trata o negócio como uma nova "avenida de crescimento" (Imagem: Shutterstock)
O Assaí (ASAI3) está entrando em um novo ramo de negócios, para tentar turbinar a geração de receitas. 
⛽ O atacadista anunciou nessa quinta-feira (18) a compra de 18 postos de combustíveis do Centro de Conveniências Millennium.
Os postos já estão instalados em lojas do Assaí, no estado de São Paulo. E, de acordo com a empresa, representam apenas a "plataforma inicial dessa nova avenida de crescimento".
O Assaí recebe cerca de 40 milhões de clientes e 20 milhões de veículos por mês em suas lojas. Por isso, vê potencial para formar uma rede com mais de 100 postos de combustíveis em suas unidades no longo prazo. 
"A entrada no segmento de combustíveis permitirá ampliar a jornada do cliente e oferecer uma nova solução de conveniência, com preços competitivos, aproveitando o fluxo, os estacionamentos, a infraestrutura e a localização das lojas já existentes", afirmou.
Segundo a empresa, a iniciativa ainda pode contribuir "para a diluição de custos fixos, ao agregar uma nova fonte de receita à base de ativos".

O negócio com a Millenium

💲 A compra dos primeiros 18 postos de combustíveis desta rede pode custar até R$ 80 milhões para o Assaí.
Segundo o atacadista, R$ 40 milhões serão pagos quando o negócio receber a aprovação prévia do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Outros R$ 35 milhões estão sujeitos à conclusão da aquisição de cada um dos postos e mais R$ 5 milhões podem ser pagos dependendo do atingimento de determinadas metas no negócio.
O Assaí, no entanto, só poderá assumir a operação dos postos do Centro de Conveniências Millennium a partir de 31 de julho de 2027, em razão das condições usuais para esse tipo de operação. 

Estratégia de crescimento

📈 De acordo com o Assaí, a compra dos postos de combustíveis está alinhada à evolução de seu modelo de negócios.
Isso porque a aquisição deve fortalecer a proposta de valor aos clientes por meio de uma oferta mais ampla de produtos e serviços e, assim, criar "uma nova avenida de crescimento" a partir da utilização de ativos e do fluxo já existentes na rede.
"A Operação representa mais um passo na estratégia da Companhia de desenvolver novas avenidas de crescimento complementares ao seu negócio principal, com o objetivo de ampliar a oferta de produtos e serviços aos clientes, aumentar o share of wallet e aproveitar a escala e os ativos já existentes no ecossistema Assaí", afirmou.
Foi com esse objetivo que o Assaí também entrou no ramo farmacêutico neste ano, com o lançamento do Assaí Farma. A empreitada também começou em São Paulo, na loja Anhanguera, e prevê a abertura de 25 farmácias no estado neste segundo semestre de 2026.
O atacadista também fez uma parceria com o Mercado Livre (MELI34) no início deste ano, para ofertar seus produtos no marketplace e, assim, ampliar as vendas digitais. Além disso, está ampliando a linha de marcas próprias, de olho nas necessidades dos seus consumidores.

A avaliação do mercado

O mercado recebeu de forma majoritariamente positiva a entrada do Assaí no ramo de combustíveis.
O Banco Safra explicou que o negócio amplia o ecossistema de serviços e categorias das lojas. Por isso, pode fortalecer as vendas, a frequência dos clientes e a conveniência. 
"Além disso, a maior diluição dos custos fixos e as vendas adicionais devem contribuir para ganhos de rentabilidade, especialmente em um mercado varejista alimentar competitivo e em cenário macroeconômico desafiador", afirmou.
A Ativa Investimentos foi na mesma linha e observou que a meta de 100 postos de combustíveis apresentada pelo Assaí significa que a estratégia pode chegar a 32% das suas 313 lojas.
"Além de estar em linha com a estratégia da empresa de monetização de seus ativos entendemos que é um avanço no modelo de negócio da empresa, complementando sua operação alimentar, potencialmente elevando fluxo em lojas e podendo gerar um cross-sell relevante, além de ser uma possível entrada no movimento de eletrificação no médio prazo", afirmou.
Já a XP decidiu tratar o assunto de forma "cautelamente positiva". A casa também aprovou a lógica estratégica, por entender que combustíveis podem ser um vetor eficaz de fluxo de clientes e uma alavanca adicional para as vendas em um cenário de consumo mais fraco.
Porém, chamou atenção ao "desafio de execução, uma vez que a iniciativa adiciona uma camada de complexidade operacional e regulatória materialmente diferente do negócio principal do Assaí".
De toda forma, a XP calcula que a iniciativa pode adicionar de R$ 13 milhões a R$ 32 milhões ao Ebitda anual e deve ter um impacto limitado na alavancagem do Assaí, já que parte de um preço "razoável".