Se até os investimentos disponíveis no
Tesouro Direto, que nem são os mais rentáveis da praça por oferecerem maior segurança,
já pagam por ora níveis recordes de juros compostos acima de
IPCA+ 8% ao ano ou taxas fixas de 14,50% ao ano, não é de se admirar que uma parcela da
renda fixa superou com folga o
CDI no primeiro semestre de 2026.
Entre os índices de referência calculados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que funcionam como uma espécie de
Ibovespa de títulos de renda fixa da mesma categoria, os números revelam que quem escolheu multiplicar o seu dinheiro com
debêntures indexadas ao
CDI ou títulos públicos pós-fixados, o famoso
Tesouro Selic, superou o famigerado
100% do CDI.
O
Tesouro Selic, bastante popular entre os investidores para a
reserva de emergência ou acúmulo de caixa de oportunidade antes do lançamento recente do
Tesouro Reserva, teve valorização de +6,95% através do índice de referência IMA-S, que considera uma carteira com títulos públicos pós-fixados de variados prazos de vencimento.
Renda fixa não é tão fixa
Quem escolheu os investimentos indexados ao
CDI está colhendo frutos melhores no curto prazo, todavia uma parcela significativa da renda fixa está sangrando no mesmo período, inclusive tratam-se de investimentos mais arrojados que costumam servir em estratégias de lucros com marcação a mercado.
Você já deve ter ouvido falar do IMA-B 5+, uma sopa de letrinhas do mercado financeiro que se refere apenas a uma carteira de títulos públicos unicamente indexados à inflação (
Tesouro IPCA+) e que ainda tenham vencimento superior a cinco anos. Pois, tal índice de referência só performou +2,20% no primeiro semestre do ano, o equivalente a um
CDB pagando apenas
31,90% do CDI.
Não por acaso, o investidor observou ao longo do mês passado o
Tesouro Renda+ 2065 disparar de uma remuneração mínima de
IPCA+ 6,89% ao ano para um pico ao redor de
IPCA+ 7,25% ao ano.
Embora novos aportes fiquem mais atrativos, o poupador já posicionado viu o seu patrimônio ser marcado negativamente na marcação a mercado. O impacto na carteira de investimentos beira -15% só em junho de 2026, quando o preço unitário despencou de R$ 204,25 no último dia para R$ 176,52 no fechamento do mês.
Debêntures incentivadas na berlinda
As chamadas
debêntures incentivadas, que são totalmente isentas da cobrança de imposto de renda, dessa vez levaram a pior em 2026. O índice de referência IDA-IPCA Infraestrutura, composto só por dívidas corporativas atreladas à inflação, rendeu apenas +1,43% nos últimos seis meses.
Ou seja, com um desempenho equivalente a um
CDB pagando apenas
20,70% do CDI, quem emprestou o seu dinheiro diretamente às empresas em tal modalidade de recebimento de juros, correndo muito mais risco e sequer coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), ficou na lanterna da renda fixa, conforme dados divulgados pela Anbima.
As taxas dispararam, mas machucaram o patrimônio dos debenturistas. Para se ter uma ideia, a ferramenta do
Investidor10 mostra que só as
debêntures incentivadas emitidas pela CSN Mineração, uma empresa listada na bolsa de valores brasileira, pagam remuneração ao redor de
IPCA+ 12,35% ao ano, com vencimento em 15 de abril de 2034.
Tais debêntures incentivadas, cujo código de negociação é
CSNAA5, foram lançadas ao mercado em abril de 2024, angariando à mineradora cerca de R$ 642,9 milhões emprestados pelos debenturistas. Na época, a remuneração oferecida era de
IPCA+ 6,83% ao ano.
Ao invés de apresentar um preço unitário de R$ 1.126,27, atualizado neste início de julho de 2026, cada
debênture incentivada da CSN Mineração ostenta um preço unitário indicativo na faixa de R$ 602,07. Logo, a disparada das taxas derrubou mais do que pela metade o patrimônio dos debenturistas que carregaram seus títulos até o momento.