Vender ou manter: O que fazer com os CDBs do Digimais após a investigação da PF?

Caso reforça a importância de analisar rating, liquidez e risco antes de investir em títulos bancários.

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Publicado em 24/06/2026 às 14:22h Publicado em 24/06/2026 às 14:22h por Wesley Santana
CDBs são títulos de renda fixa emitidos por bancos e corretoras para financiar suas operações (Imagem: Shutterstock)
CDBs são títulos de renda fixa emitidos por bancos e corretoras para financiar suas operações (Imagem: Shutterstock)

Nesta semana, outra instituição financeira entrou na mira da Polícia Federal. O Digimais passou a ser investigado por fraude bancária, em um processo que envolve também o Master, já liquidado pelo Banco Central.

A fintech teria emitido títulos bancários sem lastro e inflado seu patrimônio de forma injustificada. Isso acendeu o alerta de vários investidores que têm ativos de renda fixa na carteira e estavam aproveitando os altos rendimentos para turbinar seus investimentos.

A dúvida de muitos agora é: comprar mais títulos, vender os que já têm ou mantê-los na carteira? O que fazer? Segundo os analistas, é muito arriscado comprar os ativos neste momento, considerando que já é pública a situação financeira do banco em questão.

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Por outro lado, dizem que vendê-los agora pode ocasionar um prejuízo na carteira, já que os títulos perdem seu valor de mercado. Neste caso, a melhor saída seria manter os ativos na carteira e esperar uma eventual liquidação extrajudicial do Digimais, com posterior restituição pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Esse foi o caminho adotado por muitos investidores do Master, que receberam os recursos originais, somados aos rendimentos acumulados desde o momento da operação até a liquidação do banco. É importante destacar que o reembolso tem teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e que é necessário esperar um processo burocrático para ter acesso ao valor.

“Provavelmente vai acontecer o mesmo que ocorreu com o Master. Aconselho esperar a hora da liquidação para receber o dinheiro do FGC”, afirma Hudson Bessa, sócio da HB Escola de Negócios e professor da Escola de Administração da ESPM-SP, em entrevista ao Valor. “Não saia vendendo o CDB agora, porque os títulos não vão pagar nada. Espere, não há motivo para não esperar”, completa.

De olhos nas grandes promessas

Os analistas também destacam que os investidores têm sempre de desconfiar quando um título oferece rendimentos acima da média do mercado. Atualmente, os CDBs contam com rentabilidade de 100% do CDI, mas alguns poucos oferecem opções com 110% ou 120% da mesma taxa.

O que passar disso tem de ser encarado como um alerta vermelho, tendo o investidor que se apoiar em outras métricas para avaliar se é um bom investimento. Uma dessas ferramentas seria o rating do emissor, que dá indícios de qual é a probabilidade de o banco cumprir com o acordo.

No caso do Digimais, no mês passado, a instituição foi rebaixada pela Moody’s e teve sua nota de classificação retirada. O rebaixamento foi realizado antes das negociações de venda para o BTG, que já começaram a ser descartadas depois das investigações da PF.

“O rebaixamento reflete uma deterioração relevante da percepção de risco de crédito do Digimais, com a Fitch passando a considerar falha institucional e/ou default como possibilidade real”, diz relatório da XP Investimentos. “A avaliação é pressionada pela baixa visibilidade sobre capital, liquidez e estratégia, em um contexto de reformulação do modelo de negócios, piora de resultados, mudanças relevantes de governança – incluindo troca do CEO e destituição do Conselho de Administração – e disputa judicial envolvendo um FIDC”, complementa.