🏭 O contrato previa o abastecimento da usina de pelotização mantida pela Vale na cidade de São Luís, no Maranhão, até 2029. Porém, foi encerrado antes do previsto devido à suspensão dessa instalação industrial.
"O Acordo decorre de decisão estratégica da Vale de suspender as atividades da referida planta", informou a Eneva, em comunicado publicado nessa quinta-feira (23).
De acordo com a Eneva, a rescisão antecipada do contrato foi negociada de forma consensual e amigável. Por isso, as obrigações de fornecimento de gás natural já estão suspensas desde 31 de maio de 2026.
Vale restringe produção de pelotas
⚒️ A Vale não comentou a rescisão do contrato de fornecimento de gás natural com a Eneva, mas já havia paralisado a produção de pelotas em São Luís.
O mercado de pelotas de minério de ferro enfrenta um cenário desafiador desde 2025, devido ao aumento da oferta global e à redução dos preços do material.
Diante disso, a Vale reduziu as suas metas de produção de pelotas em meados do ano passado e antecipou a manutenção preventiva da usina de São Luís, o que levou à suspensão da planta no terceiro trimestre de 2025.
Logo depois, a Vale informou que avaliaria o momento de uma possível retomada da unidade com base nas condições de mercado. Já em 2026, disse que a unidade passou a operar de acordo com a demanda.
"A partir do 1T26, a planta de São Luís passará a operar em linha com os cenários de demanda, e a Vale avaliará o momento de uma possível retomada plena com base nas condições de mercado", informa o último
relatório de produção e vendas da Vale.
No segundo trimestre de 2026, a produção de pelotas da Vale recuou 7% frente ao mesmo período de 2025. Já em São Luís, o baque foi de 67%.
Eneva busca novo contrato
⛽ Com o fim do contrato com a Vale, a Eneva vai buscar um novo cliente no Maranhão, justamente em um momento em que está ampliando a capacidade de produção de gás natural no estado.
A Eneva tem capacidade para produzir 600.000 m³/dia de gás natural no Complexo Parnaíba, no Maranhão. Em setembro do ano passado, a companhia anunciou uma parceria com a chinesa Furui para elevas essa capacidade para 900.000 m³/dia.
Com isso, a Eneva busca fornecer gás natural para a indústria e para o transporte pesado, contribuindo com o processo de descarbonização da matriz energética brasileira.
A Vale, no entanto, representava um dos principais compradores do gás produzido na região. Agora, o título deve ficar com a
Suzano (SUZB3), que é cliente da Eneva desde 2024.
"Como resultado do Acordo, fica disponível para nova contratação a capacidade de liquefação de até 250.000 m³/dia no Complexo Parnaíba, representando nova oportunidade de comercialização desse volume para a Eneva", disse a Eneva, ao comunicar o fim do contrato com a Vale.
Na avaliação do Citi, não há nenhum outro player industrial de porte semelhante na região. Por isso, o banco acredita que a Eneva pode ter que elevar as vendas do gás natural para o segmento de transporte, como um substituto ao diesel.
O Citi calcula, porém, que o pagamento de R$ 340 milhões acertado com a Vale garante um colchão de aproximadamente 20 meses para a Eneva. Por isso, não prevê grandes impactos nos próximos resultados da empresa.