Vale (VALE3): MPF pede novo bloqueio de recursos após vazamentos em MG

Em ação cautelar, o MPF elevou para R$ 1,2 bilhão o pedido de bloqueio de recursos da Vale.

Author
Publicado em 04/02/2026 às 13:37h - Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h Publicado em 04/02/2026 às 13:37h Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h por Marina Barbosa
Água com sedimentos minerais transbordou de minas da Vale em MG em janeiro (Imagem: Prefeitura de Congonhas/Divulgação)
Água com sedimentos minerais transbordou de minas da Vale em MG em janeiro (Imagem: Prefeitura de Congonhas/Divulgação)
A Vale (VALE3) terá que enfrentar uma nova ação cautelar do MPF (Ministério Público Federal) por causa dos vazamentos registrados neste início de ano em Minas Gerais.
💲 O MPF já havia solicitado o bloqueio de R$ 1 bilhão da mineradora por causa do transbordamento registrado na Mina de Fábrica. E, agora, pediu que mais R$ 200 milhões sejam bloqueados em decorrência do incidente observado na Mina de Viga.
Acompanhe todas as notícias pelo celular! Baixe o app
As minas registraram vazamentos de água com sedimentos minerais no dia 25 de janeiro, depois que chuvas fortes atingiram a área. 
O material atingiu rios da região, causando assoreamento de córregos e danos à vegetação. Além disso, inundou áreas da CSN Mineração (CMIN3).
Com isso, a prefeitura de Congonhas (MG) suspendeu os alvarás de funcionamento da Vale na região, até o cumprimento de medidas emergenciais de controle, monitoramento e compensação ambiental. 
Já o governo de Minas Gerais aplicou uma multa de R$ 3,3 milhões à mineradora e o MPF decidiu levar o caso à Justiça.

O que diz o MPF

⚖️ Ao apresentar a nova ação, o MPF argumentou que o episódio revelou falhas no controle da operação de estruturas de contenção de efluentes das minas da Vale e afirmou que a companhia não comunicou o fato imediatamente às autoridades, o que contraria deveres legais de transparência e dificultou a resposta da Defesa Civil.
Além do bloqueio de R$ 1,2 bilhão, o MPF pediu que a Vale realize as obras necessárias para garantir a segurança dos seus reservatórios, apresente um relatório sobre a situação de estruturas semelhantes situadas em Minas Gerais e analise o material vazado, de forma a dimensionar o impacto ambiental do incidente.
"A falha nas instalações da Mina de Viga, em conjunto com o ocorrido na Mina de Fábrica, inaugura mais um cenário de insegurança acerca da integridade e estabilidade dos complexos minerários da Vale", declarou o procurador da República Lauro Coelho Junior, autor da ação.

O que diz a Vale

Em comunicados publicados após os incidentes, a Vale disse que os extravasamentos de água já haviam sido contidos e que "não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos (terra)".
A companhia também ressaltou que os episódios não deixaram feridos, nem afetaram as comunidades próximas, apesar dos danos ambientais relatados pelas autoridades.
Além disso, garantiu que apresentaria os esclarecimentos necessários e que iria apresentar a sua defesa na ação do MPF, para evitar o bloqueio de recursos.
Ainda assim, a Vale precisou suspender as atividades nas minas de Fábrica e Viga, devido à suspensão dos alvarás. Segundo a companhia, o contratempo não afeta o seu guidance.

CSN também está na mira do MPF

⚠️ O MPF também instaurou um procedimento para investigar se um terceiro vazamento ocorreu em uma estrutura de responsabilidade da CSN (CSNA3). 
A suspeita é de que sedimentos vazaram de uma estrutura conhecida como Dique de Fraile, chegando ao Rio Maranhão. E deve ser investigada a partir de dados da própria CSN, além de informações da Agência Nacional de Mineração e da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais.
Segundo o MPF, "o objetivo é verificar se houve falha nos sistemas de drenagem e garantir que a empresa tome as providências necessárias para correção de estruturas danificadas e reparação de eventuais danos causados".