Trump assina acordo com Irã durante jantar com Macron e antecipa fim do conflito

EUA e Irã assinaram o acordo nesta quarta (17). O pacto já vigora, mas ainda não há confirmação sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

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Publicado em 17/06/2026 às 21:49h Publicado em 17/06/2026 às 21:49h por Matheus Silva
O texto prevê isenções imediatas de sanções para o petróleo iraniano (Imagem: Shutterstock)
O texto prevê isenções imediatas de sanções para o petróleo iraniano (Imagem: Shutterstock)
🌍 O presidente Donald Trump assinou um acordo interino para encerrar a guerra com o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz, antecipando o cronograma para que o entendimento entre em vigor, apesar da reação de republicanos que classificaram a medida como uma vitória para Teerã.
Autoridades dos EUA e do Irã assinaram eletronicamente o acordo na noite desta quarta-feira (17), segundo uma autoridade americana e a mídia estatal iraniana. O memorando de entendimento já está em vigor, embora não estivesse claro se o Estreito de Ormuz já havia sido reaberto.
Trump assinou o documento no Palácio de Versalhes, perto de Paris, onde jantou com o presidente francês Emmanuel Macron, segundo autoridades dos EUA e da França.

Estreito de Ormuz deve reabrir rapidamente

Segundo um rascunho visto pela Bloomberg e uma versão lida a repórteres por uma alta autoridade americana, o Estreito de Ormuz seria reaberto rapidamente após meses de fechamento que fizeram os preços globais de energia dispararem. O texto também prevê isenções imediatas de sanções para o petróleo iraniano. 
As conversas sobre a questão nuclear e possíveis ganhos financeiros adicionais para o Irã ficam para uma etapa posterior. 
Com o acordo em vigor, a atenção se volta agora para as empresas de navegação, que haviam reduzido o envio de embarcações pela rota devido aos bloqueios impostos por ambos os países.

Cruz e Graham lideram críticas republicanas ao acordo

De volta a Washington, o acordo provocou críticas duras de aliados do presidente que haviam apoiado a campanha militar contra o Irã. O senador Ted Cruz, do Texas, questionou a sensatez de liberar recursos ao regime iraniano, argumentando que a história mostra os riscos de entregar somas bilionárias a adversários hostis aos EUA.
O senador Lindsey Graham, um dos aliados mais próximos de Trump no Capitólio, afirmou que o memorando não é exatamente um acordo, mas "uma estrutura para chegar a um acordo." 
Graham elogiou a tentativa de Trump de fechar um entendimento, mas admitiu ter ressalvas sobre partes do texto e levantou dúvidas sobre a capacidade do presidente de obter um pacto firme sobre o programa nuclear iraniano.

Trump cita risco de depressão global

Com a redução da oferta de energia do Golfo durante os três meses de conflito e o aumento das pressões econômicas globais, Trump sinalizou que o risco de uma crise econômica teve papel central na decisão de encerrar a guerra iniciada em fevereiro. 
Na França, onde participou da cúpula do G7, o presidente afirmou que a escalada militar "poderia ter causado uma depressão internacional."
Trump também defendeu a exclusão do programa de mísseis balísticos do Irã do acordo, ponto citado por autoridades israelenses e pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, como justificativa para a guerra. 
O presidente afirmou que o tema dos mísseis será discutido nas próximas conversas sobre o programa nuclear, embora considere que o Irã deva manter parte de seu arsenal porque outros países também o possuem.

Trump sinaliza liberação de ativos congelados

O presidente defendeu o programa de desenvolvimento de US$ 300 bilhões previsto no memorando, reiterando que não haverá dinheiro do governo americano envolvido e que o Irã só poderá se beneficiar se cumprir o acordo. Ele acrescentou que as forças americanas voltariam a atacar o país caso seus líderes não respeitem os termos firmados.
Trump também indicou disposição para liberar bilhões de dólares em ativos iranianos congelados ao longo dos anos pelos EUA, posição que havia descartado anteriormente. Segundo o presidente, manter os recursos bloqueados poderia prejudicar a confiança internacional no dólar. 
"Em algum momento, acho que teremos de devolver isso", disse Trump, argumentando que a alternativa afastaria investidores da moeda americana.
O acordo preliminar trouxe alívio aos mercados globais de energia, com o Brent caindo abaixo de US$ 80 o barril nesta semana, embora tenha reduzido ligeiramente as perdas na quarta-feira. Os preços haviam disparado no início da guerra, pressionando a inflação global.

Pontos mais sensíveis ficam para negociações de 60 dias

O memorando deixa a maior parte dos pontos mais espinhosos, como a disputa sobre os estoques iranianos de urânio altamente enriquecido, para um período futuro de 60 dias de negociações. Trump disse não considerar esse prazo como rígido, desde que o Irã mantenha bom comportamento durante o período.
Mike Pence, vice-presidente de Trump no primeiro mandato, avaliou à Bloomberg Government que "o Irã está hoje em posição frágil, mais fraco do que jamais esteve." 
Pence questionou a ausência, no memorando, de qualquer menção ao desmonte verificável do programa nuclear iraniano, considerando que o texto apenas repete promessas que Teerã já havia feito no passado.

Parlamentares do partido questionam se a guerra valeu a pena

💣 O acordo expõe Trump a um dilema político, já que o presidente classificou por anos o pacto nuclear de 2015, negociado pelo governo Barack Obama, como o pior acordo da história. Trump abandonou aquele entendimento em 2018 prometendo um pacto superior, mas as críticas de parlamentares tradicionais sugerem ceticismo sobre o resultado da guerra.
O senador Bill Cassidy, da Louisiana, classificou o desfecho como "o pior erro de política externa em décadas." Cassidy citou o número de militares americanos mortos no conflito e o custo elevado nos postos de combustível como parte do balanço negativo da guerra. 
O senador Todd Young, de Indiana, defendeu posição mais dura, argumentando que os EUA deveriam intensificar as sanções para garantir concessões mais relevantes sobre o material nuclear iraniano.

Apesar dos ataques, regime iraniano permanece no poder

A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, bombardearam o Irã sob a justificativa de impedir o desenvolvimento de armas nucleares pela República Islâmica. 
Apesar dos ataques ao aparato militar e à economia do país, o governo de Teerã permaneceu no poder, mesmo após Trump sugerir que o povo iraniano poderia derrubar a liderança. 
O Irã também demonstrou capacidade de ameaçar a região com drones e mísseis, além de pressionar Washington ao fechar, na prática, o Estreito de Ormuz, o que afetou os preços de combustível nos EUA e a popularidade de Trump antes das eleições de meio de mandato de novembro.
Analistas da Bloomberg Economics, entre eles Dina Esfandiary e Ziad Daoud, avaliaram que o acordo "troca a reabertura do Estreito de Ormuz por alívio econômico." 
📊 Segundo os analistas, a troca seria desigual, já que os ganhos do Irã tendem a ser amplos e inéditos, enquanto os EUA apenas recuperariam parte dos benefícios que já existiam antes do início do conflito.