Na real, a renda fixa do governo brasileiro com vencimento no curto e médio prazos viu suas remunerações caírem, enquanto o seu preço unitário se valorizava. Foi o que ocorreu com o
Tesouro Prefixado 2032.
Tal título prefixado viu sua taxa recuar de 13,85% ao ano no último dia 29 de abril para os atuais 13,83% ao ano. Em compensação, seu preço unitário avançou de R$ 478,84 para R$ 481,94, respectivamente. O ganho ficou em +0,65% em apenas um pregão.
Só que os títulos públicos de longuíssimo prazo, como o
Tesouro IPCA+ 2050, viveram o oposto. Sua remuneração subiu de
IPCA+ 6,94% ao ano para
IPCA+ 6,96% ao ano, implicando que seu preço unitário tivesse prejuízo de -0,34% no mesmo período.
Na interpretação de Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, a redução da
taxa Selic de 14,75% ao ano para 14,50% ao ano, ainda que sutil, marca uma mudança de postura do Banco Central.
"O ponto de inflexão são os cenários projetados, com a inflação indo para 3,5% ao ano, mesmo com o
dólar a R$ 5 no modelo, e o resultado não estando mais ao redor da meta. A despeito de estarmos no meio de um processo de desancoragem das expectativas inflacionárias,
a sinalização é de que os cortes da Selic devem continuar, a não ser que o Banco Central seja forçado a parar", comenta Tavares.
Logo, as taxas oferecidas para se emprestar dinheiro ao governo brasileiro devem continuar caindo gradativamente no Tesouro Direto ao longo de 2026, abrindo oportunidades de lucros com marcação a mercado, sobretudo maior em títulos de longuíssimo prazo.