Como se vence a eleição no 1º turno? Entenda a regra dos 50% mais um

Desde a redemocratização, só FHC venceu no 1º turno, em 1994 e 1998, superando a exigência de metade mais um dos votos válidos.

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Publicado em 04/10/2026 às 15:47h Publicado em 04/10/2026 às 15:47h por Matheus Silva
Em 2022, o primeiro colocado teve 48,43% e a disputa foi ao 2º turno (Imagem: Shutterstock)
Em 2022, o primeiro colocado teve 48,43% e a disputa foi ao 2º turno (Imagem: Shutterstock)
🚨 Para que a eleição presidencial termine já no primeiro turno, o candidato mais votado precisa conquistar a maioria absoluta dos votos válidos. A exigência está prevista no artigo 77 da Constituição Federal e define se o país terá ou não uma nova rodada de votação.
Na prática, o vencedor precisa obter metade mais um dos votos dados nominalmente aos candidatos. Ficam de fora dessa conta as abstenções, os votos em branco e os votos nulos, que não entram no cálculo do percentual exigido para chegar ao Palácio do Planalto.
Não existe um número fixo de votos que garanta a vitória. O patamar necessário varia de acordo com o total de votos válidos registrados nas urnas eletrônicas. A conta é feita dividindo o total de votos válidos por dois e somando um voto ao resultado.
Para ilustrar, imagine uma eleição com 100 milhões de votantes, dos quais 10 milhões optem por votar em branco ou anular. Nesse caso, o universo considerado cai para 90 milhões de votos válidos, e a linha de vitória passa a ser de 45 milhões e um voto.
Isso significa que um candidato pode ser eleito presidente sem receber o apoio da maioria do total de eleitores aptos a votar, já que o cálculo leva em conta apenas os votos válidos efetivamente registrados.
A exigência de maioria absoluta tem como objetivo assegurar ampla legitimidade política a quem assume o comando do país. O mecanismo evita que um presidente chegue ao poder apoiado por apenas uma pequena parcela do eleitorado, risco maior em cenários de forte fragmentação partidária.

Apenas duas eleições foram decididas no 1º turno desde a redemocratização

Desde a volta das eleições diretas, a disputa presidencial foi resolvida sem segundo turno em apenas duas ocasiões, ambas com Fernando Henrique Cardoso. Em 1994, ele foi eleito com 54,2% dos votos válidos. Quatro anos depois, em 1998, garantiu a reeleição com 53%.
📊 Todas as eleições seguintes precisaram de uma segunda rodada de votação, incluindo a de 2022, quando o primeiro colocado terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43% do principal adversário.