Uma surpresa positiva na leitura do
IPCA apurado em junho de 2026 foi responsável por destravar lucros com marcação a mercado no
Tesouro Direto nesta sexta-feira (10), à medida que as taxas oferecidas pelo governo brasileiro caíam abaixo de 14% ao ano.
Só o
Tesouro Prefixado 2029 viu sua remuneração ceder de 14,41% ao ano no pior momento do mês para os atuais 13,98% ao ano, ao passo que o seu preço unitário se valorizou de R$ 716,52 no último dia 2 de julho para R$ 725,49, respectivamente.
Na avaliação de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a inflação brasileira surpreendeu muito para baixo ao exibir variação de +0,16% ante a perspectiva de +0,28% da corretora de valores e a mediana do mercado de +0,31%.
"Para os rumos da taxa Selic, a implicação é imediata, uma vez que as expectativas de inflação serão aritmeticamente reduzidas no
Boletim Focus com a inclusão desse IPCA mais baixo. Nossa afirmação se pauta na necessidade de uma atualização altista ativa das perspectivas para que a mediana se sustente", explica o economista.
As taxas medidas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), derivativos negociados na B3 que representam os juros futuros, também apresentam baixas relevantes, contribuindo tanto para
os ganhos do Ibovespa hoje quanto para a ocorrência de lucro com marcação a mercado no Tesouro Direto.
No caso, as taxas dos DIs com vencimento de janeiro de 2035 recuaram de 14,53%, o pico registrado neste mês, para o atual nível de 14,25%. Pelo seu vencimento no longo prazo, serve de referência para taxas de desconto usadas por analistas na hora de calcular o valuation das empresas listadas na bolsa de valores. Quanto menor é a taxa, melhor é o ambiente de investimentos arrojados.